Com vocês, Quarta Feira.

Quartas feiras sempre foram um problema pra mim, e depois que eu inventei de fazer esse blog só piorou, por que daí eu tinha que me preocupar em fazer as porcarias dos posts semanais. Mas agora as coisas vão mudar, eu vou fazer os posts na quinta feira. Não, brincadeira, eu tô atrasado mesmo; mas uma coisa que vai mudar é que eu não vou me forçar a fazer isso toda quarta. Se eu tiver material pra isso bom, se não paciência, faço quando puder, não devo nada a ninguém.

Então, pra começar o ano vamos focar no começo do ano. Desde que esse 2014 começou eu honestamente não posso dizer que estou passando pelo momento mais feliz da minha vida E É ASSIM QUE EU COMEÇO O ANO, SRAS E SRS, e eu estava animado pra esse ano, mas força que melhora. Enfim, eu me dei com uma pá de coisas que me deixam felizes e que eu fico com vontade de ver de novo e de novo, por que sim. A primeira delas é uma promessa, no caso de um álbum, por que desde que Metronomy lançou I’m Aquarius eu tô ouvindo e vendo esse lindo clipe e esperando pelo cd.


me leve pras alturas, banda maravilhosa

Metronomy é uma das minhas bandas favoritas e eles lançaram três álbuns maravilhosos em uma patada, um deles é uma das coisas mais inspiradoras que eu conheço, o Nights Out, recomendo 10/10. Ainda nessa vibe eletrônica/psicodélica, um site que eu não me canso de visitar é o cachemonet.


sutil

Cachemonet é um site gerador de arte aleatória, baseada em imagens curadas do tumblr, com uma música ótima de fundo (se chama Windowdipper, e essa música me viciou dum tanto). Parece bobo, e provavelmente é, mas tem 50% de chance de te viciar também, então eu tomaria cuidado.

Coisa que acabou de me deixar feliz também foi ler esse texto aqui, que nessa época tá mais necessário que tudo. se chama Pelo fim da patrulha do gosto alheio, e pede o fim da patrulha do gosto alheio. Não dou spoiler, leiam.


chupada do texto, auto explicativo

Agora a coisa mais maravilhosa foi esse vídeo. Se vocês quiserem ouvir a um apelo meu ouça este: veja. This Actually Happens A Lot do animador Tom Law, que inclusive tem uma pá de animações maravilhosas, mas essa, gente, fico sorrindo bobo..


sutil (de vdd)

Outra e última coisa a me deixar sorrindo bobo é o primeiro e único e homônimo cd do Suburban Lawns. Conheci no finalzinho do ano passado, no blog do Séamus Gallagher, aquele quadrinista que eu falei aqui. É divertido, rápido de ouvir, às vezes é mais explosivo, com uma leve gritaria, mas no geral é um tipo de post-punk animadinho (não faz muito sentido, tô ligado). Janitor, a música mais conhecida deles, dá até pra ouvir com a mãe que ela vai achar divertida, nem vai pereber que o filho tá escutando música obscura dos anos 80 e sendo uma decepção pra família..


pra ouvir Janitor clica na imagem, pra baixar procura no google que ninguém aqui é teu empregado

E é cantando “I’m a Janitor. Oh my genitals!” que eu encerro essa encomenda atrasada. Espero que curtam o novo formato, acho que vai me facilitar escrever essas coisas.. Digam o que acharam, se quiserem, se não quiserem eu não tô nem aí.

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Mixtape – A morte de tudo o que você já foi

capa
baixe / ouça

contracapa

“Com a morte de cada homem termina um universo cultural específico, mais ou menos rico mas sempre original e irrepetível. O que o homem deixa quando morre – os seus escritos, os objectos culturais que criou, a memória da sua palavra, dos seus gestos ou do seu sorriso naqueles que com ele viveram, os filhos que gerou – tudo exprime uma realidade que está para além do corpo físico, de um certo corpo físico que esse homem usou para viver o seu limitado tempo pessoal de ser homem.”

Um planta nascendo é processo tanto de vida quanto de morte; uma “criação destrutiva”, em que semente é destruída à medida que a planta cresce.

13 álbuns de 2013 pra 2013

Essa é a última lista que eu faço em 2013. Sim, eu sei que já é 2014, mas eu começei a fazer em 2013 e são de álbuns de 2013 então silêncio que eu tô certo. Eu realmente deiei de acreditar na eficiência dessas listas numeradas de “melhores tais”, de modo que a idéia dessa lista nao foi fazer um top 10, nem colocar os melhores álbuns, nem meus favoritos, nem os que eu mais ouvi. São 13 ótimos álbuns de 2013, escolhidos pelo conjunto de sentimentos e sensações que eles evocam e a proximidade desses temas com o ano que passou, pelo menos pra mim. Sei que álbuns ótimos ficaram de fora dessa lista, fiquem à vontade pra sugerir e fazer as suas versões.

Em ordem alfabética, os 13 álbuns de 2013 pra 2013:

ANTES QUE TU CONTE OUTRA, do Apanhador Só, para a relutância.

Aquela sensação de murro na boca do estômago, que te assola e nada explica, traduzida lindamente em música. “[…]capturou um dos sentimentos mais necessários e urgentes de um ano tão conturbado: a desconfiança” como disse muito bem esse texto. Vai ler ele inteiro.

CADAFALSO, do Momo, para a solidão.

Cadafalso (substantivo) é um palco aberto onde se executa alguém. Momo jura que “ninguém vai morrer pela lâmina da faca”, mas as músicas, Bossas lindas e melancólicas, são a sua confissão, seu julgamento e sua execução. E por mais que ele diga que “você nunca mais andará sozinho”, o álbum soa mais como um monólogo do que como uma reunião.

EXCAVATION, do The Haxan Cloak, para a morte.

Eu realmente acredito que música tem poder, então eu já aviso pra tomarem cuidado com esse cara. Haxan Cloak cria música eletrônica, ambiente, industrial, sobrenatural.. Excavation é um ensaio complexo sobre a morte como jornada, processo contínuo, mais do que como evento, ou ponto final da história; e é tão assustador e pesado quanto parece ser.

FIELD OF REEDS, dos These New Puritans, pra se desconstruir.

TNP criaram uma obra perfeita tecnicamente: um álbum lindamente costurado e conceitualizado, que poderia muito bem ser uma ópera. Conta a história de dois amantes vagando, que na esperança de estarem juntos de novo, se perdem cada vez mais em labirintos, em mares escuros, em ilhas mágicas e em si mesmos.

IMMUNITY, do Jon Hopkins, pra curar.

Hipnótico, delicado, impactante, eu podia escrever uma página de adjetivos sobre Immunity e seu universo, ao mesmo tempo enorme e microscópico. Eletrônico IDM de ambientação, tem camadas suficientes pra te botar pra correr mas também pra te deixar meditando enquanto boia na imensidão.

INNOCENCE IS KINKY, da Jenny Hval, pro sexo.

Não, não é música pra ouvir durante o sexo (NÃO). É um álbum experimental, gutural, cru, chocante, que põe em cheque nossa relação com o sexo, sua essência; natural demais pra ser tratado como tabu, mas sobrenatural demais pra ser banalizado. Pra botar as definições e regras de cabeça pra baixo.

ONCE I WAS AN EAGLE, da Laura Marling, pela vida.

Laura Marling em novas experiências com o folk, menos country, mais serena, mais feliz. Isso é música pra celebrar as coisas grandes da vida, suas conquistas, suas independências, suas ambições, suas felicidades e até a própria vida, sem economias.

REFLEKTOR, do Arcade Fire, para a luz.

Eu não consigo definir ao certo o tipo de música que Arcade Fire faz, mas é linda. Quando você acha que tem eles na parede, eles fazem isso. explorando tudo que é sonoridade possível, eles entregam uma obra que joga luz na pós-modernidade e na tecnologia, e em como isso afeta a nós humanos, nossas relações, a arte, a música, a espiritualidade.. e quão longe estamos dispostos a ir pra nos conectar.

SHAKING THE HABITUAL, do The Knife, para a liquidez.

Teve essa época em que eu tinha a sensação de que tudo tava muito errado, de eu não fazer sentido em meio nenhum, de não poder se agarrar a nada. Tentando explicar esse sentimento eu disse pra uma amiga que eu tava me sentindo líquido e todo o resto era sólido. Do título à capa, incluindo as vinhetas ambiente de vinte minutos, o álbum de eletrônico experimental evoca essa sensação de não pertencer; de não encaixar; e escorrer.

SILENCE YOURSELF, das Savages, para o silêncio.

Nas palavras das próprias: “E se o mundo se calasse, mesmo que por um minuto, talvez nós começaríamos a ouvir o ritmo distante de um som jovem e raivoso e iríamos nos recompor. Talvez, tendo desconstruído tudo, nós deveríamos pensar em botar tudo de volta no lugar. Fique em Silêncio.” Nada a acrescentar.

SLEEPER, da Carmen Villain, para o frio.

Carmen era uma modelo de revistas globais, Vogue, Elle, Marie Claire. Toda convenção machista e esnobe estraçalhou aos seus pés quando ela lançou um álbum de músicas que ela escrevia e compunha em segredo durante suas viagens de trabalho, inspiradas na sonoridade de bandas como Sonyc Youth, Broadcast, com influências de música experimental, drone, country e até metal. Uma peça ao mesmo tempo tão íntima e pessoal quando crua e densa, que soa como o vento de inverno soprando no seu ouvido.

TO SEE MORE LIGHT, do Colin Stetson, para a redenção.

Colin Stetson cria música que se situa em um estilo próprio, uma mescla de folk, industrial e erudito. Com um só instrumento e alguns vocais emprestados, ele te põe pra lutar contra seu animal interior, pra ser abandonado, pra se tornar outros seres e, por último, pra se redimir com si mesmo.

YOU HAVE ALREADY GONE TO THE OTHER WORLD, do A Hawk and a Hacksaw, para a espiritualidade.

Evoluindo a própria sonoridade de uma maneira absurda e alternando entre criações próprias e versões de músicas Hutsul antigas, a banda criou uma obra tão rica quanto suas referências. O álbum, que funciona como a trilha sonora de um filme de 1964, parece realmente vir do outro mundo, e serve de trilha sonora para tentar encontrar sua própria espiritualidade, que seja única e sua.

Agora sim, vamo pra 2014 :)

então é natal e AI MEU DEUS O QUE VOCÊ FEZ??

Acontece que eu não confio em cabeleireiros; eu não vou confiar em ninguém que tenha 43 tipos de lâmina em uma gaveta e permissão pra manipular formol. Quando eu me mudei de cidade eu tive que abandonar milhares de coisas, incluindo uma das poucas (2) pessoas que eu confiava pra cortar meu cabelo e, desde então, não achei nenhum profissional que chegasse perto. UMA ÚNICA vez eu cortei com um cara legal, mas daí ele desapareceu (sério). Os outros cabeleireiros todos de certo que são pessoas invejosas no caminho do meu sucesso e fizeram tudo de propósito, por que puxa vida, não é mole não.


OLHA SE ISSO É CARA DE INOCENTE? NOSSA ROSÁLIA, COMO VOCÊ É BAIXA!

De modo que eu prefiro cortar meu cabelo com meus amigos ou cortar eu mesmo do que qualquer cabeleireiro, e é isso mesmo que eu faço. Partindo da ideia que cabelo cresce e de que cortes de cabelo de graça custam zero reais, eu comecei deixando uma amiga minha cortar (ficou ótimo) e assim fui até que estava eu próprio cortando, com aquelas máquinas de cortar o cabelo. Foi tranquilo, não doeu nada, e não ficou ruim; o problema é que eu comecei a achar que eu manjava das putaria mais do que eu realmente manjava.

Dia 24 de Dezembro, véspera de natal, a festa começava em cinco horas, eu invento de cortar o cabelo, pra ir pra festa todo trabalhado na higiene e cuidados pessoais. Meu cunhado tinha uma máquina e um espelho de mão. O QUE PODE DAR ERRADO?

Dois minutos depois, minha irmã tava segurando o espelho -enquanto- passava a máquina na minha cabeça, eu pedi pra ela virar o espelho um pouco por que eu não tava vendo direito e TINHA UM BURACO NA MINHA CABEÇA. Daí eu gritei: “TEM UM BURACO NA MINHA CABEÇA” e minha irmã riu, da segunda vez que eu gritei ela olhou, não riu, largou a máquina e foi chamar ajuda. A ideia era passar a máquina na lateral do cabelo no tamanho 3, mas tava parecendo que eu tinha alopécia por que tinha literalmente um buraco quadrado que mostrava meu couro cabeludo.

 


(insira piada com carolina dieckman)

Meu cunhado chegou pra arrumar as coisas e começou a passar a máquina na lateral toda, por que agora tinha que nivelar tudo.. E a máquina, que era pra ser no tamanho 3, foi me deixando com nenhum cabelo, e eu sentia o vento batendo na minha cabeça e meu cabelo caindo no chão e eu comecei a desesperar por que eu tava ficando careca e de repente todo meu discurso de “cabelo cresce” foi embora por que NÃO EU NÃO TÔ PREPARADO PRA FICAR CARECA, SOCORRO??

E de repente eu tava careca na parte de baixo do meu cabelo. TÁ. Respirei, superei. Afinal de contas fui eu quem quis economizar QUINZE REAIS QUAL É O MEU PROBLEMA? Fomos pra parte de cima. Se a máquina me deixou careca no que era pra ser o 3, a parte de cima, que era pra ser na 4 agora ia ser na 8, por que agora eu precisava economizar cabelo. EIS QUE o tamanho 8 da máquina era do tamanho que o 3 TINHA que ser! De uma hora pra outra o maior fio de cabelo da minha cabeça era minha sobrancelha.

Eu fiquei um bom tempo sem entender qual foi a reforma métrica do sistema que fez com o que o número que eu sempre passei no cabelo ficasse dez vezes menor, mas tudo fez sentido depois. O que importa é aprender com os erros da vida, e a lição que fica pra vocês é que MÁQUINA DE CORTAR O CABELO NÃO É A MESMA COISA QUE MÁQUINA DE BARBEAR, por que uma delas vai cortar o seu cabelo e a outra vai destruir seus sonhos, corromper seu ser e te deixar parecendo um punk que ficou pra trás no movimento.


NOTA 0 DE 10. NÃO RECOMENDO

Tô apelando pra receita caseira de tônico por que, não importa o quanto eu repita o mantra de que cabelo cresce, ele não cresce tão rápido assim; sem contar que perucas custam caro, e as baratas são tão falsas e mentirosas quanto as máquinas que causaram essa tragédia.

Fecho esse texto com um apelo: boicotem maquininhas, se tentarem passar isso na sua cabeça você cospe na cara da pessoa e fala pra ela “VOCÊ NUNCA MAIS ME VENHA COM UMA SUJEIRA DESSA” enquanto aponta o dedo na cara dela bate o pé no chão. Não compactue com o mal, corte de cabelo só com tesourinha.


★ é linda e colorida ★ não é falsa dissimulada  corta o cabelo fica lindo 

 

Aonde vamos agora? (NÃO RESPONDA APENAS REFLITA)

Agora já é 2014, e isso me assusta um pouco.. Não que 2013 tenha passado rápido POR QUE NÃO PASSOU! (não!) Mas só de pensar que agora mais um ano acabou e eu ainda demoro um minuto pra ler o relógio de ponteiro…

Eu tô aqui escrevendo coisas, e tô pensando em novas fórmulas pra escrever pro blog, como eu posso fazer pra escrever mais.. Eu sei que o melhor seria me dedicar e tirar tempo pra escrever, MAS ATÉ PARECE QUE EU VOU ME DEDICAR. Não ganho dinheiro com isso??

Sobre listas, alguém por acaso leu elas inteiras? Tinha me planejado pra fazer umas listas maiores pras estações desse ano mas: não vou. De algum modo eu vou tentar diluir elas nos planos futuros. Aquela loucura de quarta feira vai ter que ser repensada por que aquilo sempre me toma tempo, e agora com minha nova vida dupla de instrutor de hidroaxé e agente secreta kim possible eu tenho menos tempo do que nunca.

Não sei se isso vai dar certo, então eu só peço pra que vocês confiem em mim e fiquem comigo.


ficar comigo no sentido de beijar minha boca mesmo nham