A Infiltração do Oriente e a Infiltração do Ocidente (O vazamento silencioso)

Olha gente, eu sei que não é de bom tom chegar depois de tanto tempo contando os problemas financeiros, mas acontece que minha casa tá caindo aos pedaço. Eu já disse aqui, que quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa, mas que logo eu descobriria que eu estava MUITO errado. Eu acho que eu esqueci de mencionar que o espaço físico de minha casa tem muita culpa nisso.

Convenhamos que depois de 10 temporadas de friends e 18 anos de casa dos meus pais é normal eu achar que morar sozinho seria super divertido, que eu teria vizinhos legais, que minha casa ia ser linda e decoradíssima, que meu apartamento ia ser a representação dos melhores anos da minha vida e que geladeiras teriam comida. Ninguém me disse que casas seriam tão difíceis de cuidar, nem tão caras. Eu não era burro a ponto de achar que casas seriam auto limpantes, mas eu tinha na minha cabeça que elas ficavam inteiras, pelo menos; mas em apenas dois anos morando sozinho eu passei mais tempo tendo problemas do que não tendo problemas.

Vou contar essa história em capítulos por que eu tô me sentindo meio Lars Von Trier recentemente. Tudo começou com o buraco na parede.

PORÉM DIFERENTE DE MIM LARS NÃO TINHA QUE FICAR
SE PREOCUPANDO COM BURACO NA PAREDE

Capítulo 1 – O BURACO NA PAREDE

Logo no primeiro apartamento o meu quarto tinha um buraco na parede onde costumava ficar um ar condicionado, mas aparentemente a dona não aguentaria ficar longe do seu amado ar e decidiu ARRANCAR ELE COM AS PRÓPRIAS MÃOS, e em vez de tampar o buraco com tijolos e cimento, que é o que normalmente se usa pra fazer paredes, ela me vem com uma placa de MDF e grampeia na parede; e eu não tô exagerando, por que se ela tivesse tapado o buraco com creme dental e papel machê faria mais efeito.

Um dia eu entro no meu quarto e ele está INUNDADO.


foto minha em tempo real durante a inundação

Numa dessas chuvas cotidianas eis que toda a água do mundo decidiu entrar pelo buraco, escorrer pela parede até o meu criado mudo, molhar TUDO que estava em cima dele e inundar meu chão. Eu mantive a calma nessa situação e em vez de me desesperar apenas me joguei na água para que minhas lágrimas se confundissem com a poça e virassem poesia. Depois que eu me recuperei, tirei fotos de toda essa presepada pra ~fazer valer os meus direitos de consumidor e enviei pra imobiliária com o assunto ATÉ QUANDO??

Eu imagino que eles tenham impresso as fotos e usado pra fazer aviões de papel e improvisar tererês nas tranças dos funcionários; por que eu nunca recebi uma resposta. Um ano depois eu já tinha acumulado uma coletânea de 1001 dilúvios pra sofrer antes de morrer e outra de todos os problemas do apartamento que a proprietária apenas se recusava a consertar; daí a gente ficou cansado de ser HUMILHADOS e decidiu se mudar.

Mal sabia eu a ironia do que estava por vir.

Capítulo 2 – A IRONIA DO QUE ESTAVA POR VIR

Nos mudamos. Apartamento novo, pessoas novas, vida nova, quarto novo e sem buraco na parede (eu olhei duas vezes pra ter certeza); tudo era bonito, tudo era novo, a gente aparentemente não tinha mais problemas. Um dia apareceu o vizinho de baixo na nossa porta por que o nosso banheiro estava com vazamento no piso e numa reviravolta alucionante na trama eu estava inundando a casa dos outros.


eu só queria tomar um banho em paz sem que tudo desse errado

Convenhamos que como dessa vez quem estava sofrendo eram os outros a gente se importou menos com o problema e se importou mais com a nossa vida, e quando o proprietário do nosso apartamento demorou pra vir resolver o problema a gente ficou tranquilo, por que não parecia ser tão preocupante. Até que o vizinho de baixo apareceu na porta de novo falando que POR FAVOR O BANHEIRO APODRECEU, OS FUNGOS NOS SUBJUGARAM TOMARAM NOSSA CASA, ALGUÉM PELO AMOR DE DEUS PENSE NAS CRIANÇAS.

A gente arrumou tudo logo depois mas já era tarde demais, por que eu acho que a nossa casa já tinha sido amaldiçoada e tudo começou a dar errado.

Capítulo 3 – TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO

Um dia eu coloquei a roupa pra lavar e fui cuidar de minha vida. Daí a máquina começou com um barulho estranho, mas eu ignorei, por que eu não tenho tempo pra me importar com tudo que faz barulhos estranhos na minha vida. Horas depois eu fui perceber que a roupa ja deveria estar pronta, mas a máquina ainda tava funcionando, e nem no ciclo pesado essa lavadora batia tanto minha roupa, por que ela é uma maquinazinha ordinária de ruim. Eu tentei de tudo, tirei da tomada, olhei feio, dei uns tapa, mas depois tive que admitir que a máquina tinha estragado. O conserto saria quase o preço que eu paguei na máquina, então a gente tá há um bom tempo sem máquina lavando as coisas na mão. Mas isso não é chato o suficiente e, como se não bastasse, pouco tempo depois o chuveiro estragou também.

Nada contra banho frio, inclusive sou adepto, às vezes tomo um pra me sentir meio fitness e tal, mas tinham dias em que estava frio e eu não tinha opção se não entrar no banho e chorar, ou gritar desesperado pedindo pra que Deus me levasse de uma vez.

NYMPHOMANIAC-7
queria estar morta

No momento eu estou aproveitando pra ver o lado bom das coisas, eu troquei a resistência de um chuveiro pela primeira vez (e olha que eu tenho um diploma de Técnico em Eletrônica), a gente também vai comprar uma máquina nova agora; uma que seja boa e que limpe as roupas e não deixe elas cheias de manchas e plumas diferente de -C E R T A S- máquinas horrorosas. Também aproveitei o momento pra escrever uma carta pedindo desculpa pro vizinho de baixo e dar uma benzida com arruda na casa, por que prevenção nunca é demais.

Eu sei que tudo isso é parte da vida, ajuda a formar caráter etc mas eu realmente esperava que casas fossem menos caóticas; eu pago aluguel e condomínio todo mês sabe? Eu achava que isso fosse o suficiente pra manter ela de pé.

Ironicamente ou não eu ainda amo essa casa. Ainda falta uma pintura melhor e uns móveis do pinterest pra ser linda e decoradíssima como eu imaginava mas eu vejo potencial nesse apartamento pra ser a representação dos melhores anos da minha vida. Talvez seja a emoção de ter trocado a resistência do chuveiro, ou o chumbo da água subindo pra minha cabeça, mas enfim..

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