Tem muita coisa guardada que eu preciso falar.

Você acredita em segundas chances?

Com a oportunidade de voltar a escrever aqui veio a ansiedade de escrever. Veio não, voltou. A ansiedade voltou, exatamente da mesma maneira e no mesmo lugar em que estava quando eu decidi parar, há uns anos atrás; tipo quando você desliga a máquina de lavar no meio do ciclo, e quando você liga de novo ela já começa centrifugando e tremendo e saindo do lugar, por que os pés estão desalinhados.

Você acredita em lábios que dizem adeus, mas olhos que dizem até logo?

Criar é um ato perigoso. Perigoso porque quando você faz algo, e sente que aquilo foi bom, você sente felicidade, e é uma felicidade que você não sente em outro lugar, comendo uma comida boa, saindo com os amigos.. É um momento único de inspiração, emoção, fritação, bota a mão no coração.. daí você vicia e quer sentir isso de novo e de novo. E receber elogios dá um barato maior ainda. Eu definitivamente tenho um problema em receber elogios; e não é dificuldade em aceitar, é vício em receber mesmo.

Você acredita em estar na hora certa e no lugar certo?

Quem teve a ideia de voltar com o blog foi o Eduardo, mas no fundo do meu coração eu estava pedindo pro universo para que isso acontecesse. No mesmo dia em que ele veio falar comigo eu estava pensando no quanto eu sentia saudade de escrever para um blog, e que eu nunca consegui encontrar um espaço ou plataforma onde eu criasse o que eu criava aqui. Por que o que eu criava aqui era pura e completa ABOBRINHA. Temos baboseira do mais alto nível de pureza. Baboseira extra virgem. Ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue, hidrata os cabelos e a pele. Use uma colher de sopa todos os dias!

Você tem medo de recomeçar?

O verdadeiro perigo de criar começa no momento em que você não consegue atingir as expectativas. Lá está você, chapada de receber elogio, criando e se superando, se sentindo inabalável. Eis que alguma coisa planta uma minhoca na sua cabeça. Você olha pra sua obra e ela está fraca, ruim, chata, anêmica. As expectativas rosnam pra você como cachorros desconfiados; às vezes elas vêm de fora, mas muitas vezes elas vêm de nós mesmos. Você diz que “Não!” e faz cara de confiante, “Eu vou dar o meu melhor!” E aí o seu melhor fica uma bosta, e as expectativas te comem.

Você corta o fluxo de aprovação. A abstinência bate e você fica irritada, triste, paranóico. Você treme nas extremidades e sua frio. Você arranca os cabelo e grita. Você é amarrada numa camisa de força e trancada numa cela com paredes macias. É um momento sombrio na sua vida, mas o tempo passa e com força de vontade e amor próprio, você consegue sair desse poço! Aos pouco você se reabilita e volta; posta uma selfie naquela luz boa. Você vai sobreviver!

Parabéns, eu tenho tanto orgulho de você.

Você já prometeu pra si mesmo que não iria se apaixonar novamente?

É bom te ver de novo. Senti sua falta. Vem cá, vem.

Resultado de imagem para woman kissing a mannequin

Anúncios

O que aprendemos com a morte?

Terça-feira, eu estava sentado almoçando e meu telefone tocou. Eu sempre tive dificuldades de atender o telefone (?), mas decidi que esse ano eu enfrentaria isso. Era meu pai ligando. Atendi logo. Ele não me deu bom dia, como de costume. Eu já sabia que essa conversa seria diferente, então eu já perguntei como ele estava. “Muito mal, péssimo”. “É? O que aconteceu?”. Então ele foi me contar que um amigo dele havia acabado de falecer. Estava trabalhando, sofreu um acidente. Era um dos poucos amigos do meu pai que eu gostava. E desse eu gostava muito. A notícia bateu forte. Falei mais um pouco com meu pai detalhes e desliguei.

Eu tinha que sair logo depois do almoço. Enquanto eu dirigia eu não parava de pensar sobre tudo aquilo. Como será que ele acordou naquele dia? Como foi que ele despediu pela última vez de cada pessoa? A última vez que eu o vi foi há alguns meses. Eu não sabia que aquela seria a última vez. O que passou na cabeça dele durante aquele dia? E durante os últimos instantes?

Quando eu era pequeno ele sempre ia lá pra casa para um churrasco ou algum outro motivo que inventávamos para se reunir. Num momento ele conversava comigo sobre Iron Maiden, Black Sabbath, o que ele achava dos vocalistas do AC/DC, ou me contava a história do Led Zeppelin; daqui a pouco e saía e ia escutar moda de viola com meu pai. Ele serviu ao exército e lá ele aprendeu a ser espartano. Aprendeu que precisava saber fazer de tudo nessa vida, e que qualquer lugar poderia servir para dormir quando precisasse. Ele era uma pessoa que conseguia ver as outras pessoas.

Não quero esperar as pessoas morrerem para aproveitar o que elas são de bom e aprender com elas. Também não quero esperar ela já não poder escutar mais para eu dizer que elas são importantes, nem que não seja com palavras.

See you later, alligator.

Aquilo que resiste ao tempo e ao espaço

Um dia eu tive um sonho que eu chegava para o João e dizia que a casa dele ia ser demolida. Ele disse “pode destruir tudo, deixa só as janelas”.

Esse blog começou quando o João ia mudar para outro estado e queríamos uma forma de continuarmos nossas conversas sobre a vida, o universo, e tudo mais. Criamos uma casa para nossas conversas e pensamentos. Moramos nela um tempo, mas teve um dia que eu saí sem avisar e não voltei mais. A casa ficou fraca e o João decidiu sair também antes que tudo desmoronasse.

Depois de muito tempo, e de sentir muita saudade, criei coragem e fui atrás do João para saber como a casa estava. Na verdade era para saber como ela poderia estar. Decidimos que era hora de colocar as paredes fracas no chão, colocar as janelas que guardamos nos lugares e reconstruir a casa.

E aqui começa nossa reconstrução.