Houston, eu tenho tantos problemas…

Alô, alô.. Aqui sou eu, João Gabriel, transmitindo do espaço.

Esses dias eu tenho ficado muito cansado da vida na terra, então eu improvisei uma cápsula espacial com o motor da Air Fryer e me catapultei pra fora da atmosfera; mas eu ainda estou em órbita, por que eu achei que vagar pelo espaço sideral ia me gastar muito tempo pra fazer um monte de marmitas e eu ando com bastante preguiça de cozinhar. E eu também não tô tãaao cansado assim da experiência humana a ponto de sair de órbita, só um pouco de saco cheio.

É muito todo dia a mesma coisa, sabe? Trabalhar de segunda a sexta, o fone de ouvido o tempo todo pra não pirar de vez de ficar respirando aquele ar condicionado e aquela luz artificial, voltar pra casa, consumir alguma coisa no tempo livre, fazer alguma coisa no tempo livre, correr atrás dos seus sonhos no tempo livre. Aqui em cima as coisas são bem mais tranquilas, não tenho que trabalhar nem pagar aluguel, e de vez em quando passo por um satélite e eu aproveito pra escutar uma música.

Quando eu fui pra Terra eu achei que as coisas funcionavam de uma maneira muito simples. Eu me lembro de um dia em que eu corri em direção a um monte de pombas e elas saíram voando, e eu achei aquilo lindo!, então eu corri em direção a um monte de cachorros de rua e eles me atacaram. As coisas na Terra são muito complexas, têm muitas variáveis e não é por ter dado certo uma vez que vai dar duas. É como se a verdade estivesse o tempo todo se esquivando. Às vezes desaparece sem dar um sinal, às vezes tá bem na nossa frente, mas sempre tá fora do nosso alcance. Flutuando no espaço eu não tô mais preocupado em alcançar a verdade. Não sei, a falta de oxigênio torna as coisas muito mais simples.

Tem uma galera que diz que encontrar a verdade suprema é o propósito da vida; ao mesmo tempo tem uma galera que diz que o propósito da vida é negar os desejos e impulsos, e tem uma galera que diz que é honrar as leis divinas. Eu costumava me identificar com a galera mística que diz que o propósito da vida é elevar a alma através do autoconhecimento, mas ultimamente tô achando que esse assunto anda muito concorrido e decidi deixar a discussão pros outros.

Lá na Terra o combustível mais potente da minha vida nesses dias tem sido o sexo. Eu tô tentando parar de fumar, tô tentando diminuir na bebida, dormir melhor, fazer mais exercícios, meditar.. tô fazendo isso por que tô preocupado com a saúde do meu corpo e mente e todo o resto, claro, mas o que mais me motiva é pensar que quanto mais saudável meu corpo e mente estiverem mais energia eu vou ter pra transar. Eu poderia dizer que é minha natureza primitiva e animal buscando a reprodução, mas já me deixaram claro que sexo entre dois homens não gera filhos, então acho que é só tesão mesmo.

Não me levem a mal, tem muitas outras coisas que me alegram na vida, eu sei apreciar uma boa comida, um encontro com os amigos, pegar um sol na cara, cuidar das plantas.. o que eu não tô sendo capaz de suportar é o fato de que todo dia essas coisas são empurradas pro segundo plano da existência, e todo dia eu acordo cedo pra criar banners pra um site e fazer uma galera rica ficar mais rica ainda e comprar, sei lá, um frigobar novo pro jatinho. Enquanto isso eu tenho amigos desempregados, e enquanto isso tem gente que tá trabalhando em cativeiro.

Já faz uns anos que eu tô tendo que escolher entre ler ou ver um filme ou ver os amigos ou dar um tempo pra minha cabeça e sentar na varanda pra ver a lua; e eu tava com saudade de ver a lua. Aqui no espaço sideral eu não tenho mais que escolher, mas eu também não tenho o que escolher. Eu também não tenho que me incomodar mais com essas coisas de ser humano e a frustração de ver tudo em um estado tão fudido. Por outro lado eu também não tenho como fazer nada pra mudar isso. Felizmente, a lua daqui de cima tá linda.

Enfim, tô falando isso tudo pra dizer que: eu trouxe uma garrafa de vinho, eu já bebi ela inteira, agora eu tô bêbado e eu não sei mais como faz pra operar esse painel.

Tem como alguém vir me buscar? Queria muito tomar um banho.

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O que o incêndio levou a enchente trouxe de volta

Nesse carnaval eu me fantasiei de demônio, me pintei inteiro de vermelho com tinta de teatro e fui pra rua, com uma calça, muitos colares, e uma bolsa. Os colares, a calça e a bolsa voltaram completamente pintados de vermelho da tinta que escorreu do meu corpo, assim como as paredes do meu banheiro, o assento do vaso, o lençol e a fronha do travesseiro. Três dias depois eu ainda tô tirando tinta vermelha do meu cabelo e descobrindo manchas frescas espalhadas pelas minha coisas.

Nessa brincadeira mais umas tantas roupas mancharam de tinta, por que aparentemente, mesmo três dias e um banho de mar depois, eu ainda estou suando vermelho. Uma camisa, que eu comprei da minha amiga há uns cinco ou seis anos atrás e que por sinal é uma das minhas peças de roupa favorita, ficou rosa; e uma cueca, que eu comprei há pouco tempo mas que também me é muito querida, ficou laranja. A camisa rosa eu não curti, mas a cueca eu botei fé.

Eu não sei se minhas roupas vão voltar a ser o que elas eram antes, nem as que foram pintadas diretamente, nem as que só foram lavadas juntas, mas que pegaram a cor das outras mesmo assim. Pode ser que algumas voltem ao normal aos poucos, outras me parecem que ficaram manchadas pra valer; e honestamente, acho que só me resta aceitar. Eu tô firme e forte, deixando de molho, esfregando com a mão.. mas eu prefiro ter a roupa manchada do que rasgar ela na agonia de tirar as manchas. É o melhor que eu posso fazer no momento.

Às vezes, o melhor que eu posso fazer não parece ser o suficiente, especialmente no fim do dia quando eu tenho que voltar pra casa pra dormir sozinho nos meus lençóis manchados, ou quando eu tenho que acordar cedo pra compensar as horas do carnaval em um emprego que tantas vezes me traz muito mais estresse do que alegria; é como se fazer a coisa certa não recompensasse.

Mas a vida já me ensinou mais de uma vez que as respostas que a gente busca raramente aparecem quando a gente quer, mas que elas sempre aparecem quando a gente precisa. No fim tudo segue um fluxo, tudo se endireita de um jeito torto e as coisas não são tão complicadas quanto parecem. Eu me pintei inteiro de vermelho, e me senti incrível; tô triste pela camisa, mas gostei da cueca.

Meu chefe acha que eu não sou um adulto de verdade, por que eu só queria me sujar e não pensei em como me limpar. Eu acho que ele tinha que cuidar da própria vida, mas como é ele quem paga meu salário, dei uma risadinha.


O nome desse texto veio dessa música

Que nunca acabe

Minha vida é cheia de pessoas que me influenciaram. Tem aquelas que eu não conheço e só li um texto em blog perdido. Também tem aquelas que eu convivi. As primeiras eu sempre agradeço nos meus pensamentos ou em e-mails que geralmente nunca são respondidos – não tem problema, já basta eu ter encontrado aquelas palavras e elas terem me encontrado. As outras pessoas, ah, essas a gente consegue abraçar, sentar e conversar mais.

Uma dessas pessoas participou da minha vida durante minha adolescência. Ela era mais velha, já estava terminando a faculdade, enquanto isso eu estava entrando no ensino médio. Ela não era da minha cidade, estava aqui para estudar e tentar algum emprego. Nos víamos quase todos os dias. Pra mim foi como uma luz na escuridão. “Você poderia fazer um curso de inglês, tem esse lugar que eu fiz e foi muito bom”. Lá nesse curso eu conheci um dos professores que mais me inspiraram na vida. “O que você acha de ir pro CEFET? O ensino de lá é diferente. Foi bom pra mim, e talvez seja pra você”. E lá eu fiz meu ensino médio e toda minha vida mudou para sempre. “Você já escutou essas bandas?”. Assim eu descobri músicas que eu amo até hoje. Apesar da diferença de idade, eu sentia que eu era tratado com respeito, sabe? Minhas ideias mais malucas eram escutadas e, ao invés de serem ignoradas ou tidas como bobagem, lá estava ela junto comigo na cauda do asteroide que eu estava navegando.

Um dia ela adoeceu e teve que voltar a para sua cidade natal. Era grave e ela decidiu que queria ser tratada perto da família. Quando eu soube da notícia, eu senti algo que não consegui explicar porque nunca havia acontecido aquilo antes. Dentro de mim estava gelado, doía, tinha uma angústia. Passamos um tempo sem nos comunicarmos e sem nos vermos. O dia em que nos encontramos novamente pela primeira vez, era em uma confraternização e eu não conseguia me manter perto dela por muito tempo. Não conseguia por que ela precisava de força e eu não sabia se eu ia conseguir me controlar ao me aproximar. Fiquei o mais próximo que consegui naquele dia.

Passado mais algum tempo distante resolvi que tinha que ir visitá-la. Peguei o ônibus e fui. Uma viagem e tanto até chegar lá. No fim de semana que passei lá nós conversamos, escutamos música, passeamos, tudo como se nada de ruim tivesse acontecido. Cada instante foi maravilhoso. Estar com alguém que é importante pra gente faz cada momento ser bom.

Minha passagem de volta estava marcada para domingo a noite e ela disse que me levaria à rodoviária. “Você vai dirigindo pra eu poupar energia para dirigir na volta pra casa”. “Tudo bem”. Quando entramos no carro, ela ligou o som e colocou uma playlist para tocar. Eu já estava emotivo por aquilo ser a despedida daquele fim de semana, e ela ainda preparou uma playlist! Enquanto eu dirigia, íamos conversando. Eu dirigia o mais devagar que conseguia. Queria que aquele momento fosse infinito, que nunca acabasse. O amor e a felicidade preenchiam todo aquele carro. Chegamos na rodoviária, estacionei o carro e desci chorando. Não aguentei. Abracei ela e agradeci com um obrigado, não precisava dizer pelo que era, porque era por tudo.

Sim

Era sexta e eu tinha acabado de chegar na casa de um amigo para uma comemoração. De comemoração não tinha nada, era tudo só uma desculpa para se juntar e jogar conversa fora. Tinha mais gente do que outras vezes. Algumas eu conhecia, outras não. Tinha um garoto que eu não conhecia e estava sentado na ponta do sofá da sala. Ele era diferente das pessoas que vejo todos os dias, falava e se movia com confiança, brincava com olhares, risos e expressões, conversava sobre assuntos que iam além do trivial. Quando percebi, meu coração estava acelerado, tinha ficado caído por ele.

Enquanto eu estava na sala, eu não conseguia parar de olhar para ele e observar como ele falava e se movia. Aquilo era incrível. As vezes eu até tentava disfarçar, mas logo meu olhar era atraído novamente. Tentei distrair conversando com outras pessoas, mas não adiantou. Decidi ir à cozinha. Lá não ia ter essa distração (tentação). Abri a geladeira, peguei uma bebida, quando virei o garoto estava entrando na cozinha. Aproveitei que já estava na frente da geladeira, “Você quer?”. “Claro”. Entreguei para ele a bebida e depois ficou um silêncio constrangedor por alguns instantes. Ele puxou assunto, ainda bem. Encostei na pia e ele se sentou na cadeira e assim continuamos conversando por um bom tempo. A conversa foi ficando cada vez mais interessante e eu cada vez mais na dele. Estávamos nos aproximando, mas eu estava receoso. Não estava afim de apenas ficar com alguém, mas ele parecia estar. Por quê de todo mundo que estava ali, ele iria se interessar por mim mim? Tinham outras pessoas mais interessantes ali, ou em outro lugar. Minha falta de confiança me fez não querer ir mais pra frente naquela conversa. Eu decidi acabar por ali enquanto estava tudo bem, senão minha ilusão só ia aumentar. “Vou pra casa, já está tarde”, eu disse. “Está cedo, fica mais.”. “Acho que não, até mais”. E fui saindo antes que ele insistisse mais.

Em casa eu não consegui dormir tão cedo. Fiquei revirando na cama pensando nele. Meus pensamentos pulavam entre ter me arrependido de ter ido pra casa e achar melhor assim pra não machucar com aquilo. Enfim eu dormi.

Acordei de manhã e tinha uma notificação no celular, “Tem algo em você que mexeu comigo. Nunca senti isso antes. Quer sair hoje?”.

O que aprendemos com a morte?

Terça-feira, eu estava sentado almoçando e meu telefone tocou. Eu sempre tive dificuldades de atender o telefone (?), mas decidi que esse ano eu enfrentaria isso. Era meu pai ligando. Atendi logo. Ele não me deu bom dia, como de costume. Eu já sabia que essa conversa seria diferente, então eu já perguntei como ele estava. “Muito mal, péssimo”. “É? O que aconteceu?”. Então ele foi me contar que um amigo dele havia acabado de falecer. Estava trabalhando, sofreu um acidente. Era um dos poucos amigos do meu pai que eu gostava. E desse eu gostava muito. A notícia bateu forte. Falei mais um pouco com meu pai detalhes e desliguei.

Eu tinha que sair logo depois do almoço. Enquanto eu dirigia eu não parava de pensar sobre tudo aquilo. Como será que ele acordou naquele dia? Como foi que ele despediu pela última vez de cada pessoa? A última vez que eu o vi foi há alguns meses. Eu não sabia que aquela seria a última vez. O que passou na cabeça dele durante aquele dia? E durante os últimos instantes?

Quando eu era pequeno ele sempre ia lá pra casa para um churrasco ou algum outro motivo que inventávamos para se reunir. Num momento ele conversava comigo sobre Iron Maiden, Black Sabbath, o que ele achava dos vocalistas do AC/DC, ou me contava a história do Led Zeppelin; daqui a pouco e saía e ia escutar moda de viola com meu pai. Ele serviu ao exército e lá ele aprendeu a ser espartano. Aprendeu que precisava saber fazer de tudo nessa vida, e que qualquer lugar poderia servir para dormir quando precisasse. Ele era uma pessoa que conseguia ver as outras pessoas.

Não quero esperar as pessoas morrerem para aproveitar o que elas são de bom e aprender com elas. Também não quero esperar ela já não poder escutar mais para eu dizer que elas são importantes, nem que não seja com palavras.

See you later, alligator.

A Infiltração do Oriente e a Infiltração do Ocidente (O vazamento silencioso)

Olha gente, eu sei que não é de bom tom chegar depois de tanto tempo contando os problemas financeiros, mas acontece que minha casa tá caindo aos pedaço. Eu já disse aqui, que quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa, mas que logo eu descobriria que eu estava MUITO errado. Eu acho que eu esqueci de mencionar que o espaço físico de minha casa tem muita culpa nisso.

Convenhamos que depois de 10 temporadas de friends e 18 anos de casa dos meus pais é normal eu achar que morar sozinho seria super divertido, que eu teria vizinhos legais, que minha casa ia ser linda e decoradíssima, que meu apartamento ia ser a representação dos melhores anos da minha vida e que geladeiras teriam comida. Ninguém me disse que casas seriam tão difíceis de cuidar, nem tão caras. Eu não era burro a ponto de achar que casas seriam auto limpantes, mas eu tinha na minha cabeça que elas ficavam inteiras, pelo menos; mas em apenas dois anos morando sozinho eu passei mais tempo tendo problemas do que não tendo problemas.

Vou contar essa história em capítulos por que eu tô me sentindo meio Lars Von Trier recentemente. Tudo começou com o buraco na parede.

PORÉM DIFERENTE DE MIM LARS NÃO TINHA QUE FICAR
SE PREOCUPANDO COM BURACO NA PAREDE

Capítulo 1 – O BURACO NA PAREDE

Logo no primeiro apartamento o meu quarto tinha um buraco na parede onde costumava ficar um ar condicionado, mas aparentemente a dona não aguentaria ficar longe do seu amado ar e decidiu ARRANCAR ELE COM AS PRÓPRIAS MÃOS, e em vez de tampar o buraco com tijolos e cimento, que é o que normalmente se usa pra fazer paredes, ela me vem com uma placa de MDF e grampeia na parede; e eu não tô exagerando, por que se ela tivesse tapado o buraco com creme dental e papel machê faria mais efeito.

Um dia eu entro no meu quarto e ele está INUNDADO.


foto minha em tempo real durante a inundação

Numa dessas chuvas cotidianas eis que toda a água do mundo decidiu entrar pelo buraco, escorrer pela parede até o meu criado mudo, molhar TUDO que estava em cima dele e inundar meu chão. Eu mantive a calma nessa situação e em vez de me desesperar apenas me joguei na água para que minhas lágrimas se confundissem com a poça e virassem poesia. Depois que eu me recuperei, tirei fotos de toda essa presepada pra ~fazer valer os meus direitos de consumidor e enviei pra imobiliária com o assunto ATÉ QUANDO??

Eu imagino que eles tenham impresso as fotos e usado pra fazer aviões de papel e improvisar tererês nas tranças dos funcionários; por que eu nunca recebi uma resposta. Um ano depois eu já tinha acumulado uma coletânea de 1001 dilúvios pra sofrer antes de morrer e outra de todos os problemas do apartamento que a proprietária apenas se recusava a consertar; daí a gente ficou cansado de ser HUMILHADOS e decidiu se mudar.

Mal sabia eu a ironia do que estava por vir.

Capítulo 2 – A IRONIA DO QUE ESTAVA POR VIR

Nos mudamos. Apartamento novo, pessoas novas, vida nova, quarto novo e sem buraco na parede (eu olhei duas vezes pra ter certeza); tudo era bonito, tudo era novo, a gente aparentemente não tinha mais problemas. Um dia apareceu o vizinho de baixo na nossa porta por que o nosso banheiro estava com vazamento no piso e numa reviravolta alucionante na trama eu estava inundando a casa dos outros.


eu só queria tomar um banho em paz sem que tudo desse errado

Convenhamos que como dessa vez quem estava sofrendo eram os outros a gente se importou menos com o problema e se importou mais com a nossa vida, e quando o proprietário do nosso apartamento demorou pra vir resolver o problema a gente ficou tranquilo, por que não parecia ser tão preocupante. Até que o vizinho de baixo apareceu na porta de novo falando que POR FAVOR O BANHEIRO APODRECEU, OS FUNGOS NOS SUBJUGARAM TOMARAM NOSSA CASA, ALGUÉM PELO AMOR DE DEUS PENSE NAS CRIANÇAS.

A gente arrumou tudo logo depois mas já era tarde demais, por que eu acho que a nossa casa já tinha sido amaldiçoada e tudo começou a dar errado.

Capítulo 3 – TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO

Um dia eu coloquei a roupa pra lavar e fui cuidar de minha vida. Daí a máquina começou com um barulho estranho, mas eu ignorei, por que eu não tenho tempo pra me importar com tudo que faz barulhos estranhos na minha vida. Horas depois eu fui perceber que a roupa ja deveria estar pronta, mas a máquina ainda tava funcionando, e nem no ciclo pesado essa lavadora batia tanto minha roupa, por que ela é uma maquinazinha ordinária de ruim. Eu tentei de tudo, tirei da tomada, olhei feio, dei uns tapa, mas depois tive que admitir que a máquina tinha estragado. O conserto saria quase o preço que eu paguei na máquina, então a gente tá há um bom tempo sem máquina lavando as coisas na mão. Mas isso não é chato o suficiente e, como se não bastasse, pouco tempo depois o chuveiro estragou também.

Nada contra banho frio, inclusive sou adepto, às vezes tomo um pra me sentir meio fitness e tal, mas tinham dias em que estava frio e eu não tinha opção se não entrar no banho e chorar, ou gritar desesperado pedindo pra que Deus me levasse de uma vez.

NYMPHOMANIAC-7
queria estar morta

No momento eu estou aproveitando pra ver o lado bom das coisas, eu troquei a resistência de um chuveiro pela primeira vez (e olha que eu tenho um diploma de Técnico em Eletrônica), a gente também vai comprar uma máquina nova agora; uma que seja boa e que limpe as roupas e não deixe elas cheias de manchas e plumas diferente de -C E R T A S- máquinas horrorosas. Também aproveitei o momento pra escrever uma carta pedindo desculpa pro vizinho de baixo e dar uma benzida com arruda na casa, por que prevenção nunca é demais.

Eu sei que tudo isso é parte da vida, ajuda a formar caráter etc mas eu realmente esperava que casas fossem menos caóticas; eu pago aluguel e condomínio todo mês sabe? Eu achava que isso fosse o suficiente pra manter ela de pé.

Ironicamente ou não eu ainda amo essa casa. Ainda falta uma pintura melhor e uns móveis do pinterest pra ser linda e decoradíssima como eu imaginava mas eu vejo potencial nesse apartamento pra ser a representação dos melhores anos da minha vida. Talvez seja a emoção de ter trocado a resistência do chuveiro, ou o chumbo da água subindo pra minha cabeça, mas enfim..

Mulher executiva determinada mirando com arco e flecha

07:50
É UMA SEGUNDA FEIRA E EU ACORDEI ÀS SETE E MEIA DA MANHÃ COM UM GRITO NO CORAÇÃO: HOJE EU ARRUMO A MINHA VIDA!


se prepara sua demônia você tá TÃO na minha

08:20
Tá, tomei um banho, um café, coloquei a roupa do dia. Agora arrumar a vida; por onde eu começo?

08:35
Decidi começar pelo quarto, porque veja só, pra conseguir me vestir eu tive que tomar cuidado pra não pisar nos três cabos, dois livros, quatro sapatos, duas mochilas e uma peça de roupa jogados no chão; meu criado mudo tem tanta nota fiscal que dá até pra pensar que eu tenho controle dos meus gastos; a mesa de estudo tá com tanto papel empilhado que eu tô apoiando meu computador em cima de um livro grosso, que eu poderia estar lendo, mas tô enrolando faz um tempo. Se aquele galera forense muito doida do CSI entrasse no meu quarto eles já iam me prender, por que iam achar que eu sou daqueles maníacos que escrevem cartas com recorte de revista e guarda o dedão das vítimas na gaveta; e verdade seja dita, eu não faria muito esforço pra resistir à prisão por que talvez eu seja??? Eu não sei mais de nada.

09:05
Pra começar a limpeza eu decidi colocar uma música. Estranhamente, a prateleira dos CDs do meu quarto estava impecavelmente organizada, em ordem alfabética e tudo (mas mesmo assim eu demorei meia hora pra escolher qual botar). Primeira pilha de papéis, se prepare.

09:50
CARAMBA ATÉ AGORA EU SÓ LIMPEI UMA PILHA DA MESA E EU JÁ JOGUEI TANTO PAPEL FORA, EU TÔ AMANDO ISSO.

10:50
Eu achei um livro de quadrinhos e de repente eu comecei a ler e OPA perdi uma hora. É assim que eu pretendo dar um jeito na minha vida?

10:55
Eu naõ sei o que eu pretendia fazer com isso mas me deu fome??

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11:07
Eu nunca comprei um pacote de halls na minha vida de quem é esse halls e há quanto tempo isso está aqui??

11:10
O QUE EU FAÇO COM TODAS ESSAS MOEDAS, EU ODEIO MOEDAS

11:12
Eu joguei as moedas no chão, agora eu tive que catar tudo

11:14
Eu achei outro halls, e eu não sei que tipo de código é esse por que eu nem gosto de halls?

11:26
Eu não sabia que cabia tanta coisa nesse quarto.. Tem tantos cadernos e papel aqui que eu tô achando que não vou precisar comprar folhas nunca mais na vida, e com certeza tem mais chaves no me quarto do que portas na casa. Eu também tô com essa impressão de que minhas gavetas estão ficando mais bagunçadas à medida que eu arrumo o quarto, mas uma conquista de cada vez, também, né? Não vamos exigir demais.

11:32
Achei duas fitas cassete e não tenho ideia de como elas vieram parar aqui. Elas tão rotuladas como Lembrança da Cruzada de Evangelização.. aparentemente o Pastor Izidoro Rodrigues foi condenado a dezenas de anos e salvo por Cristo na penitenciária. Amém.

11:39
Eu acabei de encontrar uma caixa de fósforos. Agora sim, o halls, os cassetes e as chaves fazem sentido; eu estava construindo uma bomba. Duh, como eu pude esquecer? Só faltavam os ingredientes da lista.

Fica a idéia.

12:01
DESCULPA AMAZÔNIA

Vocês devem estar pensando que eu limpei uma suíte enorme, mas isso tudo veio de uma escrivaninha. Por que assim, existem duas coisas que ficam bagunçadas volta e meia: roupas, que ficam no guarda roupa; e todo o resto da minha vida, essa fica na escrivaninha; e esses são os dois móveis que existem no meu quarto. E de alguma maneira eu consegui essa façanha. Eu não sei se fico preocupado ou impresionado.

Mas assim, agora que tudo isso foi embora eu me sinto mais calmo.. Talvez seja por que eu achei aquele frasco de floral anti stress que eu tinha parado de tomar e deixado na gaveta e virei ele inteiro? Talvez seja. Mas agora eu me olhei no espelho e eu vi aquele fogo da Tyra Banks nos meus olhos gritando pra mim “APRENDA ALGO COM ISSO” e eu sussurei baixinho: “Eu vou, Tyra”, o que provavelmente seria estranho pra alguém vendo de fora; mas pra mim foi incrível e inspirador.

É isso, eu não ligo que só tenha doce de leite e água na geladeira, eu vou sair e vou dar um jeito na vida como eu dei no meu quarto; e pode até ser uma alucinação causada por overdose de floral, mas eu consigo sentir algo dentro de mim me dizendo que AGORA VAI, BRASIL!

20:30
Ok, dar um jeito na vida é mais difícil do que parece, e pelo visto custa dinheiro???? Eu acabei de chegar em casa e agora eu tô triste, por que eu percebi que eu saí daqui tão animado pra andar num raio de sol que esqueci de jogar aquele lixo todo fora. E agora eu tô com preguiça.. acho que a Tyra me largou no meio do dia.. Cadê aquela receita da bomba?

21:00
Meu deus, ainda bem que tinha doce de leite na geladeira (mas agora não tem mais, acho que vou comprar mais um..)

21:15
Comprei três doces e um bolo.. e olha, eu até me sinto bem.. Ainda bem que eu dei um jeito na minha vida.

meu corpo diz vamos mas meu coração diz PÉÉÉÉN RESPOSTA ERRADA

Quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa. O que que poderia dar errado? O curso era o que eu queria, a cidade é linda, cartão postal, muito sol, paz e luz. Eu ia ser feliz, eu ia estudar e conhecer pessoas maravilhosas com vários professores incríveis usando óculos de acetato e eu ia fazer vários trabalhos incríveis e ganhar dinheiro prestígio respeito independência e passar o resto dos dias tomando champagne, deitado na minha banheira de monange vendo o dinheiro das ações cair na minha conta.

ONDE FOI QUE EU ERREI?

NÃO, SÉRIO.

Por que assim, eu sei que dois artigos e um estágio que pague 2 mil reais é pedir demais, mas eu achava que aos vinte anos de idade eu já não estaria mais chorando por causa das lâmpadas da minha casa. Do começo: no começo das férias eu me mudei de casa em Florianópolis, quando a mudança tava sendo feita eu já tava de volta na minha cidade natal pra passar as férias lá. Uma semana depois do meu aniversário, eu voltei pra caá pra trabalhar. Quando eu cheguei eu vi pela primeira vez a casa que seria minha daqui pra frente, conheci meu quarto, os banheiros as janelas e tal. O apartamento é lindo eu amo ele, eu fiquei me sentindo o mulher do sex and the city só que sem nova york, o glamour, o dinheiro, os cosmopolitans, as roupas, o closet, o amor, o prestígio, o respeito, a dignidade EU ERA FELIZ.

24 horas depois, eu estava sozinho em casa, era uma sexta com cara de domingo, e tudo começou a desabar. As lâmpadas da casa eram incandescentes, o quarto tava sujo e bagunçado, a geladeira tava com cheiro de leite derramado, as lâmpadas eram incandescentes, tava quente igual o inferno, não tinha internet, as lâmpadas eram incandescentes, meu celular não funcionava direito, não tinham ventilador a venda em lugar nenhum na cidade e tava quente igual o inferno, as lâmpadas eram incandescentes e elas esquentam e tava quente igual o inferno, minha cama tava desmontada e eu não consegui montar, meu olho tava vermelho sangue de alergia de alguma coisa da casa, AS LÂMPADAS ERAM INCANDESCENTES QUEM AINDA USA ISSO?


ou como o supermercado escreveu, em sotaque britânico 

Daí eu me desesperei e tive um ataque de ansiedade e chorei.

Eu não quero focar no meu desespero e choro, até por que muito tempo foi perdido nisso; mas saibam que graças o bom coração de uma amiga eu fui salvo. Vamos cortar a cena aí e avançar um pouco no tempo, eu estou na minha casa e tudo parece ótimo, nem parece fim do mês, nem parece que existem lâmpadas incandescentes no mundo.

Eu achei que tudo fosse ser tão diferente. Lógico que eu não achei que fosse ser fácil, mas eu achei que as dificuldades da vida seriam gradualmente superadas, que iria rolar uma epifania, depois uma daquelas cenas-montagem da pessoa se esforçando na vida, fazendo academia, montando uma mesa e usando roupas melhores; mas eu não sinto como se eu tivesse aprendendo lições, e eu com certeza não estou montando uma mesa. Eu não to aprendendo nada da vida, eu to aprendendo a chorar, e eu vou graduar em chorar antes de graduar no meu curso. Na real eu sinto como se eu tivesse preso em um clipe do Coldplay, com pessoas olhando pela janela e aquelas coisas em câmera lenta. As pessoas choram em clipes do Coldplay? Eu acho que elas choram.


Viva la vida loca

De qualquer forma, isso é mais um desabafo do que tudo. Vocês se sentem assim ás vezes? Como se a cor de uma lâmpada fosse te impedir de ser feliz pelo resto de sua vida? Como se suas escolhas não fossem te trazer conquistas e sonhos, apenas solidão e lâmpadas incandescentes? Como se o vazio existencial do seu ser fosse te engolir antes mesmo da última prestação do carnê?

Só posso torcer pelo melhor.

então é natal e AI MEU DEUS O QUE VOCÊ FEZ??

Acontece que eu não confio em cabeleireiros; eu não vou confiar em ninguém que tenha 43 tipos de lâmina em uma gaveta e permissão pra manipular formol. Quando eu me mudei de cidade eu tive que abandonar milhares de coisas, incluindo uma das poucas (2) pessoas que eu confiava pra cortar meu cabelo e, desde então, não achei nenhum profissional que chegasse perto. UMA ÚNICA vez eu cortei com um cara legal, mas daí ele desapareceu (sério). Os outros cabeleireiros todos de certo que são pessoas invejosas no caminho do meu sucesso e fizeram tudo de propósito, por que puxa vida, não é mole não.


OLHA SE ISSO É CARA DE INOCENTE? NOSSA ROSÁLIA, COMO VOCÊ É BAIXA!

De modo que eu prefiro cortar meu cabelo com meus amigos ou cortar eu mesmo do que qualquer cabeleireiro, e é isso mesmo que eu faço. Partindo da ideia que cabelo cresce e de que cortes de cabelo de graça custam zero reais, eu comecei deixando uma amiga minha cortar (ficou ótimo) e assim fui até que estava eu próprio cortando, com aquelas máquinas de cortar o cabelo. Foi tranquilo, não doeu nada, e não ficou ruim; o problema é que eu comecei a achar que eu manjava das putaria mais do que eu realmente manjava.

Dia 24 de Dezembro, véspera de natal, a festa começava em cinco horas, eu invento de cortar o cabelo, pra ir pra festa todo trabalhado na higiene e cuidados pessoais. Meu cunhado tinha uma máquina e um espelho de mão. O QUE PODE DAR ERRADO?

Dois minutos depois, minha irmã tava segurando o espelho -enquanto- passava a máquina na minha cabeça, eu pedi pra ela virar o espelho um pouco por que eu não tava vendo direito e TINHA UM BURACO NA MINHA CABEÇA. Daí eu gritei: “TEM UM BURACO NA MINHA CABEÇA” e minha irmã riu, da segunda vez que eu gritei ela olhou, não riu, largou a máquina e foi chamar ajuda. A ideia era passar a máquina na lateral do cabelo no tamanho 3, mas tava parecendo que eu tinha alopécia por que tinha literalmente um buraco quadrado que mostrava meu couro cabeludo.

 


(insira piada com carolina dieckman)

Meu cunhado chegou pra arrumar as coisas e começou a passar a máquina na lateral toda, por que agora tinha que nivelar tudo.. E a máquina, que era pra ser no tamanho 3, foi me deixando com nenhum cabelo, e eu sentia o vento batendo na minha cabeça e meu cabelo caindo no chão e eu comecei a desesperar por que eu tava ficando careca e de repente todo meu discurso de “cabelo cresce” foi embora por que NÃO EU NÃO TÔ PREPARADO PRA FICAR CARECA, SOCORRO??

E de repente eu tava careca na parte de baixo do meu cabelo. TÁ. Respirei, superei. Afinal de contas fui eu quem quis economizar QUINZE REAIS QUAL É O MEU PROBLEMA? Fomos pra parte de cima. Se a máquina me deixou careca no que era pra ser o 3, a parte de cima, que era pra ser na 4 agora ia ser na 8, por que agora eu precisava economizar cabelo. EIS QUE o tamanho 8 da máquina era do tamanho que o 3 TINHA que ser! De uma hora pra outra o maior fio de cabelo da minha cabeça era minha sobrancelha.

Eu fiquei um bom tempo sem entender qual foi a reforma métrica do sistema que fez com o que o número que eu sempre passei no cabelo ficasse dez vezes menor, mas tudo fez sentido depois. O que importa é aprender com os erros da vida, e a lição que fica pra vocês é que MÁQUINA DE CORTAR O CABELO NÃO É A MESMA COISA QUE MÁQUINA DE BARBEAR, por que uma delas vai cortar o seu cabelo e a outra vai destruir seus sonhos, corromper seu ser e te deixar parecendo um punk que ficou pra trás no movimento.


NOTA 0 DE 10. NÃO RECOMENDO

Tô apelando pra receita caseira de tônico por que, não importa o quanto eu repita o mantra de que cabelo cresce, ele não cresce tão rápido assim; sem contar que perucas custam caro, e as baratas são tão falsas e mentirosas quanto as máquinas que causaram essa tragédia.

Fecho esse texto com um apelo: boicotem maquininhas, se tentarem passar isso na sua cabeça você cospe na cara da pessoa e fala pra ela “VOCÊ NUNCA MAIS ME VENHA COM UMA SUJEIRA DESSA” enquanto aponta o dedo na cara dela bate o pé no chão. Não compactue com o mal, corte de cabelo só com tesourinha.


★ é linda e colorida ★ não é falsa dissimulada  corta o cabelo fica lindo 

 

Timing Perfeito Talk Show – O Gigante, Médicos Cubanos e Lulu.

O programa começa atrasado, como de costume. A vinheta começa ao som do Remix de California Dreaming do Benny Benassi, o nome do programa aparece em letras garrafais coloridas sobre imagens estroboscópicas de pacotes de bolacha recheada em preto e branco. Corta para a imagem do auditório vista de cima e o apresentador entra dançando algo que se parece muito com a dança da manivela.

APRESENTADOR: (se sentando) Olá, boa noite a todos! (sorri) É um prazer ter vocês aqui hoje, nesse dia tão especial, por que hoje nosso programa vai tratar de um assunto muito polêmico: As Polêmicas! Já que o ano está chegando ao final, decidimos fazer uma retrospectiva de 2013 a partir daquilo que todo mundo mais gosta comentar: os bafões, os babados, a gritaria.. E pra falar sobre isso nós trouxemos três convidados muuuuito especiais. (ainda sorrindo) Nosso primeiro convidado veio das ruas; mas como todo bom oportunista aproveitou o fogo da situação pra lançar a carreira e logo estava famosíssimo, ganhou fama, apareceu em todos os jornais e mídias, impressas e online enquanto multidões gritavam seu nome. Com vocês, O Gigante!

O gigante entra no auditório acenando, acerta um lustre quando se abaixa pra cumprimentar o apresentador, ele senta e ocupa o sofá dos convidados inteiro. A produção traz duas cadeiras da skol e coloca do lado do sofá.

APRESENTADOR: (sorrindo) É um prazer ter você aqui, Gigante.
GIGANTE: O prazer é todo meu, Apresentador.
APRESENTADOR: Vamos direto ao ponto, Gigante; de 0 a 100 em um minuto. Como você conseguiu? Você acha que foi tudo sorte ou é tudo mérito seu?
GIGANTE: Olha, eu não vou negar que tem sim um fator de sorte. Mas o que é sorte se não o encontro da preparação com a oportunidade? Eu acho que eu estava no lugar certo no momento certo, mas outra pessoa talvez não tivesse se dado tão bem, sabe? Eu sempre tive esse feeling, essa coisa dentro de mim, de que eu poderia ficar famoso. É como Kelly Hiltonn disse, tem gente que nasce platéia e tem gente que nasce palco, e eu desde criança gostava muito de dançar, gostava muito de cantar Menudo..
APRESENTADOR: E você não acha que a mídia e a publicidade que surgiu te ajudou muito?
GIGANTE: Nossa, com certeza, a mídia com certeza botou holofotes demais, sabe? Eu chegava a ficar envergonhado, por que eu não podia acordar que antes de eu levantar já tinha virado notícia (risos).
APRESENTADOR: Eu vou ter que te interromper agora por que O NOSSO PRÓXIMO CONVIDADO… (tambores) Nesse ano ele foi clicado em aeroportos do Brasil todo, é uma pessoa viajada, toda trabalhada nos diplomas, extrema; ou amam, ou odeiam. Vem pra cá, Médicos Cubanos!

Médicos Cubanos entra acenando, alguém vaia e manda ele ir testar os medicamentos nos políticos do mensalão, a câmera vira para a platéia; é um beagle. Médicos cumprimenta as pessoas e senta numa cadeira.

APRESENTADOR: E aí, Médicos, como foi a viagem?
MÉDICOS CUBANOS: Foi ótima, cheguei há alguns dias, estou aproveitando pra conhecer a cidade.
APRESENTADOR: Ah, que legal.. E o que você tá achando da cidade?
MÉDICOS CUBANOS: Nossa, estou adorando a cidade, realmente é uma boa cidade essa.
APRESENTADOR: Sim.

Um minuto de silêncio constrangedor no estúdio, o apresentador ainda está sorrindo, o lábio inferior dele está tremendo.

APRESENTADOR: Enfim, Médicos, como é que você chegou nesse não, não, isso não vai dar em nada. (joga os cartões de roteiro pro lado) Seguinte, Médicos eu não consegui pensar em nenhuma piada legal e nós não estamos interessados na sua vida então nós vamos chamar o próximo convidado ok?


Não dê o médico, ensine a pescar

APRESENTADOR: (o mesmo sorriso, agora com a boca inteira e o olho esquerdo tremendo) Ela chegou com tudo, fez a redes sociais entrarem em colapso, só se falava dela. Uns morrem de medo, outros a adoram. Já chegou a ser processada por suas declarações. Nossa terceira e última convidada: LULU!

Lulu entra no estúdio, o beagle na plateia se mija todo. Ela não consegue subir na cadeira, uma pessoa da produção vem e coloca ela.

LULU: Bom dia.
APRESENTADOR: (Sem desazer o sorriso, um close da câmera mostra uma fita adesiva colada do lado do rosto) Lulu, vamos falar sobre você e esse estouro, você acha que tava no lugar certo na hora certa também ou
LULU: Não, eu acho que é mérito meu mesmo. (Ela tira um cigarro com uma piteira longa da bolsa e acende, 570 gifs são postadas no tumblr)


THIS. THIS. THIS!!!!! OMG THIS

APRESENTADOR: Ok, pessoal, já que estamos todos aqui, vamos falar daquilo que interessa. Em se tratando do assunto das polêmicas, vocês acham que 2013 foi um bom ano? Por que honestamente eu estou decepcionado.
LULU: Nossa mas com certeza não foi, eu daria nota 6, pra 2013, no máximo, sabe? (ela bebe champagne duma taça e o buzzfeed faz uma lista pra ela)
MÉDICOS CUBANOS:  Eu concordo, quantas celebridades relevantes cairam peladas na internet? Aquele menino da disney, o Zack Cody apareceu de cueca e já entraram em crise.. se isso tem esse impacto é por falta de coisa melhor..
LULU: A coisa que mais chocou o mundo aparentemente foi a Miley Cyrus.. eu não sei se demolição por acaso é algum tabu por acaso ou se tava todo mundo fraco das idéias.
GIGANTE: Nossa gente, e vocês lembram quando tava na época das manifestações e teve gente que achou que podia rolar um golpe? AAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHA

O estúdio inteiro ri desesperadamente por um longo período de tempo, o apresentador ri tanto que já não faz mais som, ele só cai da cadeira de boca aberta. A platéia entra em colapso nervoso, as pessoas estão tendo síncopes, ninguém para de rir. Metade da produção tá caída no chão com o nariz sangrando. A cena corta, vem a vinheta do programa, vai pros intervalos; quando volta, dois terços da platéia foram substituídos por manequins e o beagle por um cachorro de balão. O apresentador está usando um aparelho pra auxiliar a respiração.

APRESENTADOR: Eu vou ter que encerrar o programa por aqui, pessoal, por que isso está ficando longo e meus trocadilhos tão acabando. Espero que tenham gostado, agradeço muito à vocês por virem, convidados.
MÉDICOS CUBANOS: Eu é que agradeço essa oportunidade, é muito bom estar aqui nessa cidade e te ver, apresentador.
GIGANTE: Nossa sim com certeza eu que agradeço.
LULU: (apaga o cigarro no sofá)
APRESENTADOR: Um feliz fim de ano pra todos e nos vemos em 2014!*

O Gigante e o Médicos Cubanos dão um beijo gay no horário nobre, Lulu fica pelada. A produção solta animais da fazenda no estúdio e a platéia pega fogo. Entra a vinheta do programa com um Eurodance qualquer e acaba.

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*Isso foi feito meramente pra comentar essas palhaçadas todas aí e enfiar o máximo de piadinhas toscas que eu conseguisse no processo; foi horrível, e eu não vou fazer de novo. Peço desculpas.