Sol em Gêmeos 2019 – 21 de Maio a 20 de Junho

Se Touro me arrastou pela lama, Gêmeos me tirou pra dançar e me rodopiou direto no meio do holofote. Em alguns dias me senti a bicha mais poderosa do mundo, que eu conseguiria conquistar a babilônia na base da conversa e do sorriso. Conversar é geminiano; mas conversar não é só sobre falar, é principalmente sobre ouvir. Ouvir o que está sendo dito, ouvir como está sendo dito, ouvir aonde a língua se segura pra não dedurar o que a mente tá cozinhando; isso sim é SUPER geminiano.

Existem pessoas que são melhores em ouvir do que outras, e existem aquelas que até poderiam ouvir, mas que simplesmente não querem. Lembre-se que não adianta conversar com essa pessoa, por que pra ela você é só eco; e tudo que você falar só vai refletir aquilo que ela quer ouvir. Lembre-se também que todas as pessoas podem ser essa pessoa em determinado momento. Aprenda a identificá-la, aprenda a identificar-se.

Aprenda a ouvir. Aprenda a falar. Aprenda a falar em outra língua. Aprenda a falar sem usar a língua. Aprenda a piscar. Aprenda a aprender, e a guardar as coisas que se aprende em uma gaveta nos corredores do seu cérebro pra poder buscar quando precisar. Um aprendizado fantástico dessa temporada geminiana foi a geolocalização. Sem mapas, sem maps, sem “segue reto e vira a próxima à direita”. Só eu, minha memória e minha intuição. Localização é um talento que nunca tive e que achava que nunca teria, mas voilá, na hora do aperto as cartas caem da manga.

Essa capacidade camaleônica de ler o ambiente e se adaptar responsivamente é incrível e muito útil, mas também acaba sendo muito inebriante, por que você sente que tá surfando no topo da maior onda, tirando o melhor de cada situação e saindo como charmoso sempre. E não dá pra você estar sempre nessa, garota. Às vezes você precisa estar por baixo pra aprender, às vezes você precisa não saber o que falar pra poder pensar de novo e falar melhor, às vezes simplesmente não é sobre você. O processo de se adaptar também acaba te desconectando da estabilidade de ser. De tanto ir e voltar, seu centro acaba ficando fraco, moldável. Reconsiderar é necessário, mas ter um norte imutável é tão necessário quanto. É isso que te tira do fluxo de pensamentos cíclicos e repetitivos. Como um remédio que precisa de uma dose exata para te fazer bem, o reconsiderar pode se tornar um veneno quando não sabemos o limite.

Quem sou? Por que sou? Sou por que posso ou por que quero? Quero mesmo ou só preciso disso agora? Tome cuidado pra não se perder nas perguntas; você não é elas. Tome cuidado pra não ter certeza das respostas. De modo geral tente manter a leveza, e saiba se perdoar. Você é humano e com certeza absoluta uma hora vai agir igual um idiota.

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Sol em Touro 2019 – 20 de Abril a 20 de Maio

Levantar da cama nem sempre é uma tarefa possível, e é por isso que eu coloco pequenas cenouras na minha frente pra quebrar a inércia do motor. Ir na academia pra ficar malhado, trabalhar pra ganhar dinheiro, economizar pra comprar uma coisa melhor… eu confio que um dia eu vou chegar na cenoura; mas eu sei que ela tá sempre longe e que minha força de vontade não é eterna, então eu ponho pequenos pit-stops no caminho; um almoço com os amigos, um café, dois shots de tequila..

A temporada de Touro é engraçada por que no começo parece que vai ser eterna, mas de repente já passou e ninguém nem percebeu. Ou pelo menos foi assim pra mim. Eu tive que me esforçar mais, dormir menos, dar tapas na minha própria cara pra eu não desistir ainda, por que muitos dos meus dilemas pareciam que não iriam acabar. Ao mesmo tempo, quando eu assumia as situações e dava cabo delas, uma por vez, eu resolvia muita coisa com pequenos atos.

Quem é o dono do tempo das coisas? Quem decide a hora do fruto amadurecer? Quem nos diz que ainda é cedo e quem nos diz que já é tarde demais?

Eu gostei de viver minhas certezas de forma mais cadenciada, vagarosa.. pra alguém que tá acostumado a viver a vida no alto-falante e no estandarte, é um grande avanço. Eu ainda passaria dez horas num palanque falando sobre mim mesmo mas, enquanto a oportunidade não chega, eu posso falar um minuto por dia.

Sintonia, melodia, harmonia. Hoje eu sei que a sensualidade que eu busco existe em um estado latente, em alguma camada da consciência que flue e brota como nascente em pontos soltos da paisagem. Mas também sei que posso cuidar do solo para que nasçam as flores, e nutrir minha alma para que eu me permita mais, me arrisque mais e me deseje mais. Sou um lindo Jardim.

Borboletas, fiquem à vontade, tá?

Sol em Áries 2019 – 20 de Março a 20 de Abril

O primeiro terço do Outono. A despedida do Verão. É a temporada de Áries; e eu cheguei a pensar em não falar do signo, pra apelar também para um público mais cético,mas veja bem, agora é tarde demais. Pois sim. A vida é feita de escolhas; e na maior parte delas você não vai poder voltar atrás. Quer coisa mais ariana que isso?

Esse foi um tempo em que eu quis desistir de tudo inúmeras vezes, o que é curioso para um signo conhecido pela ferocidade e garra. Foi um tempo de me domar, e ser mais forte que meus impulsos, mas não foram impulsos de dominar ou destruiu, e sim de parar e me afastar silenciosamente.

Eu senti o coração na superfície da minha pele, emoções que vinham até a epiderme e coçavam pra sair. Acho que a superfície precisava ser sentida. Acho que a minha pele precisava de sangue, fogo e desejo. Construí expectativas só pra vê-las sendo arregaçadas. Senti raiva. Não foi bonito ou prazeroso, mas foi honesto e resolutivo. Entre uma mentira frágil e uma verdade bruta, qual você escolheria?

Houve ainda uma sensação de cansaço, mormaço, trabalho inútil. Uma repetição que não constrói nem destrói, só repete. Tédio. Rádio. Central telefônica. Não desligue, sua ligação é muito importante para nós. Me sinto cansado de manter um sistema falido funcionando. As montanhas de pedra, a que servem? Quem desenhou os arcos e desvios dessas estruturas que nos cercam? Quem construiu os muros que nos prendem? Quem misturou o cimento? Quem fundiu o aço, e com que fogo?

No meio disso tudo vem correndo por mim um desejo incontrolável de mudança. Sinto vontade de me recriar, de me tornar tão forte e intenso que nada disso seja capaz de me parar. Quero prazer e alegria, e quero que venha de dentro. Quero me sentir uma pessoa fresca e leve, sensual e deliciosa. Quero escorrer da minha própria boca, quero costas grudadas na parede e cabelo grudado na cara. Quero me sentir à vontade para me sentir.

Enquanto escrevo e penso nisso, sinto vontade de me esfolar, me ferir e sangrar. Não sei como lidar com esse desejo tão auto destrutivo, mas achei interessante. Me cortar ou perfurar não me atraem, tão pouco me queimar. Não quero machucar a mim mesmo e nem corro esse risco, mas ao fim da temporada de Áries, eu sinto como se devesse ter ralado o joelho ou o cotovelo em algum lugar. Acho que o que eu quero mesmo é fuder.

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Este ser está comigo o tempo todo

Ele tem vida própria

Convivo com suas limitações

E ele com as minhas

Me expresso através dele

E ele de mim

Como é mais fácil que os outros o vejam, costumam me julgar pelo que ele é

Alguns dizem que existem muitos tipos desses seres por aí

Outros já berram que não existem mais do que um par

Eu não sei sobre os outros, mas esse aqui que está sempre comigo não cabe num par de definições

É uma jornada entendê-lo, mas é o por ele que sinto o mundo

O deserto dos sentimentos

Já era tarde da noite. Eu estava sozinho, dirigindo de volta para casa. Dessa vez não tinha ninguém me esperando. Isso era novo. Eu ainda não tinha pensado em como seria estar sozinho em casa. Se naquele momento eu decidisse não ir pra casa, nada mudaria para ninguém além de mim. Ao mesmo tempo que eu pensava que isso poderia ser liberdade, também sentia que isso poderia ser um vazio onde ninguém estaria se importando com minha existência naquele momento. Se eu sumisse, só no outro dia iriam perceber. Continuei dirigindo para casa.

Liguei o rádio e coloquei as músicas que eu queria, sempre me preocupar se alguém iria gostar daquilo ou não. De vez em quando algumas poucas pessoas que estavam na rua olhavam, outras nem percebiam (ou não se importavam) com minha passagem ali. Ainda não sabia se aquilo era liberdade.

Chegando em casa, coloquei as chaves no mesmo lugar de sempre e andei pela casa só para conferir que não tinha ninguém mesmo. Entrei em todos os cômodos e, depois de ver que estava realmente sozinho, sentei no sofá. Fiquei ali por um tempo parado, só sentindo aquela atmosfera diferente. Só as luzes que eu queria estavam ligadas, só tinha barulho se eu fizesse.

Quanto mais parado do lado de fora, mais meus pensamentos tinham espaço para navegar. Decidi ir deitar. Não estava com sono, mas queria ficar lá estirado vendo o reflexo das luzes da rua refletidas no teto. Enquanto eu andava em direção ao quarto, percebi que haviam tantos detalhes na casa que eu nunca havia notado.

Deitei e fechei os olhos. Depois de pensar sobre tudo aquilo que parecia ser urgente, minha mente começou a navegar no tempo. Vieram lembranças de quando eu era criança, depois outras mais recentes. Algumas me deixavam feliz, outras me faziam tremer de vergonha. Nossa! Como eu fiz aquilo?! Passei por tantas memórias que comecei a perceber relações entre elas. Memórias se ligaram. Comportamentos que eu não percebia se mostraram tão repetitivos. De vez em quando minha mente viajava para o futuro e eu começa a ver todas as possibilidades que pairavam lá. Planos, vontades, possibilidade de reconectar com o passado. Tudo parecia ser possível. Mas o que escolher?

Minha mente já tinha viajado bastante e provocado mais sentimentos do que um filme francês. Cansada de viajar, ela decidiu me mostrar o abismo. Comecei a pensar sobre minha identidade. O que eu deveria colocar no campo bio do Twitter? Será que eu sou o que eu faço ou o meu trabalho ou as bandeiras que carrego? Como fazer a vida ter sentido? Como eu não conseguia pensar na possibilidade de a vida não ter sentido, então qual seria o da minha? E aquilo tudo que eu gosto, por quê? Ah, quanto mais eu encarava esse abismo mais assustado eu ficava. As perguntas só eram respondidas com outras perguntas. Nenhuma resposta. Onde é que aperta o botão para descer na próxima parada? Já estava desconfortável isso.

Eu sabia que ia achar respostas se continuasse pensando, mas o quanto estou disposto a encarar esse abismo? Vi que nem tudo é respondido de uma vez. Acabei dormindo e meus sonhos se misturando com minhas ideias. Acordei no meio da noite com o quarto gelado porque a janela havia ficado aberta. Fui à cozinha, tomei um copo d’água, sentei na minha mesa de trabalho, escrevi cinco coisas que eu queria realizar, coloquei o despertador para 6h00, fechei a janela voltei a dormir.

O tempo é altamente agressivo. Eu preciso encarar o abismo, mas vou agir antes que o tempo acabe.

Se não nós, então quem?

Acabei de assistir “Infiltrados na Kla*”. Meu coração bate forte, minhas mãos tremem e eu não sei ao certo se o que sinto é raiva ou medo. As vezes penso que é raiva por ver que discursos de ódio ainda estão presentes, mas as vezes penso que é medo, medo disso estar acontecendo forte aqui.

O filme conta uma história que se passou há uns 30 anos atrás. É a cruzada de um policial negro tentando acabar com a KK* local da cidade dele. O filme encerra com cenas de marchas racistas no ano de 2017 e de ataques às marchas do movimento Black Lives Matter.

Na época em que o filme se passou (e pelos relatos do filme), o grão-master da K3* fazia questão de não vestir o capuz, queimar cruzes ou participar das passeatas. Ele também não falava diretamente sobre agressão nos discursos. Tudo era subentendido e propagado pelas seções locais de seus seguidores. O sangue não era derramado diretamente das mãos dele, era por aqueles que o escutavam. Ele precisava se manter “limpo” para cumprir seu objetivo maior, que era levar suas ideias e seus discursos para a política. Seus seguidores desacreditavam em histórias como a do Holocausto. Judeus eram uma ameaça por roubarem trabalho e por terem matado Jesus. Tudo era motivado em nome de um ideal religioso e purista.

O discurso é um campo de batalha e todo discurso é impregnado de relações de poder. O ano é 2019, um político que carrega um discurso de ódio por anos sobe ao poder político máximo do país. Pessoas negam eventos de atrocidades que aconteceram no passado. Um culto ultra-nacionalista e conservador, em nome da igreja, se fortalece. Há uma exaltação a dita família tradicional (pura). As diferenças são tratadas como pontos a serem passados por cima. Tudo em nome de crescer a economia, abrir mais postos de trabalho, e fazer o país prosperar. As pessoas escutam esse discurso de ódio e levam tão a sério que se tornam um perigo maior do que o político, que está lá, protegido, deliberando e postando mensagens “inofensivas”, que a qualquer mal-entendido, ele volta e edita o Tweet.

Esses dias me perguntaram se minha loucura de acreditar que essa suposta violência que aconteceria após as eleições tinha se tornado verdade. Pelo que eu vejo nos comentários e perfis das redes sociais, eu tenho receio até da roupa que vou vestir na rua.

Eu não quero que essa história triste venha se repetir aqui. Que todo esse ódio e intolerância cresça. Não quero que o país se desenvolva às custas de pessoas morrendo, jovens se suicidando por não se encaixarem ou políticas públicas que tiram direitos de quem precisa.

Eu quero lutar nesse campo de batalha do discurso com palavras de amor, de tolerância e de compreensão. Eu quero contar que essas minorias não devem se curvar à maioria, pois a minoria é formada por pessoas. Cada uma dessas pessoas tem sua história e se conhecermos essas histórias elas vão deixar de ser “aquela minoria” para ser a Maria que levanta cedo, pega três ônibus para o trabalho, recebe um salário mínimo, mas mesmo cansada ela toda noite lê para suas filhas; ou então o Roberto, que, apesar de trabalhar na construção civil, não tem uma casa própria.

Nós não queremos mais direitos do que os outros, apenas queremos ser incluídos de verdade para que possamos aproveitar dos mesmos direitos, mesmo que isso signifique colocar cláusulas específicas na lei para garantir isso.

Quem sou eu pra falar estar aqui falando sobre isso tudo? Provavelmente ninguém. Mas se não eu, se não você, se não nós, então quem?

*Não vou escrever o nome aqui porque não quero que esse texto seja achado por isso.

A amizade moderna é constituída por duas pessoas que ficam encorajando uma a outra a fazer terapia.

Bom dia seus freudianos! Hoje eu quero falar sobre terapia. Mas de novo? Sim. Mas o último post já não foi sobre terapia? Sim. Você é obcecado por terapia por acaso? SIM! Completamente! Eu acho tudo, acho incrível, recomendo pra todo mundo. Atualmente eu faço uma vez a cada duas semanas mas se eu pudesse faria com mais frequência; tipo três vezes por semana, TIPO TRÊS HORAS POR SESSÃO.

cuidado com a bicha doida

Talvez eu tenha um vício. Talvez eu precise de ajuda. TALVEZ…. eu deva levar meu vício em terapia pra terapia. É isso que eu vou fazer. Vou sentar na cadeira, bem sério e dizer “Tânia,” olhando nos olhos dela, “acho que você é um relacionamento tóxico para mim.” Daí eu chamo ela de codependente e mando ela ir procurar ajuda.

Tá, eu exagero, mas uma coisa é verdade; só não faço toda semana por não querer gastar o dinheiro. E é por isso que eu não entendo sessões de terapia de meia hora. Em meia hora eu nem me achei no sofá. Também não entendo a instrutora da academia que eu frequento me dizendo que fez um mês de terapia quando tava se sentindo mal. MANA, UM MÊS? Se eu tivesse feito um mês de terapia quando eu tava mal eu acho que teria saído pior do que eu entrei! Em um mês eu mal tirei aquela primeira camada podre de pensamentos ruins que tava por cima; e só pra descobrir que tava mais podre ainda por baixo!

cuidado com a bicha satânica

Não entendo, mas se funciona pra você, se joga mana! No fim das contas eu sei que cada processo é um processo e cada pessoa é uma pessoa, e que o bom mesmo da vida é descobrir o seu caminho. Às vezes o que funciona pra mim não funcione pros outros. Chocante, eu sei, especialmente por que eu sempre tô certo em tudo; mas a vida tem essa mania de não concordar comigo em absolutamente tudo que eu acredito e penso; e a mim só cabe aceitar. E essa é a coisa que o acompanhamento psicológico mais me ajuda a fazer; primeiro olhar para aquilo que estou pensando e sentindo e depois aceitar as coisas como são.

A terapia te ajuda a parar de se enrolar nos fios soltos da vida e te convida a parar, pegar um único fio, e ir desenrolando ele. Aonde será que esse fio vai dar?
Fazer isso traz uma sensação incrível de leveza e prazer que é tipo um orgasmo simultâneo de todos os seus chakras. Raiva, tristeza, alegria, surpresa, desejo, nojo, resistência, nobreza, ego. Tudo isso vem junto no pacote de ser humano, e com uma frequência absurda a gente se esquece disso.

É fácil falar sobre aceitação, amor próprio, desapego, auto-conhecimento e como todas essas coisas nos fazem bem, mas falar sobre isso tudo é discutir conceitos; por que a ideia de plenitude não tem nada a ver com a experiência de plenitude. Não é sobre abrir os braços na frente do sol e sorrir e anunciar gratidão e fazer aquela pose de yoga que as perna fica pra cima. É sobre ir dormir CHEIO DE PROBLEMA, mas achar até gostoso por que no fim das contas… é tão bom ser humano!

Até a próxima amigos. Tenham um bom fim de semana e, VÃO SE TRATAR!


O título desse post veio desse tweet.

Dia de terapia

Então, como estás?

“Essa semana foi impossível, já faz uns quatro dias que eu fico acordada até não aguentar mais e só vou deitar quando eu tô caindo de sono. Se eu tento dormir antes eu não consigo e fico rolando na cama e minha cabeça não me deixa em paz! Pelo menos acordada eu faço alguma coisa e não me sinto tão inútil. Mas o dia seguinte é pior ainda, porque eu não consigo ficar de pé de cansaço e me sinto uma fracassada, que não consegue nem dormir na hora certa.” Rebeca para de falar, mas morde os lábios como quem tem mais a dizer, e olha para a terapeuta com desconforto.

Terapeuta julgando Rebeca

A terapeuta respira fundo e mantém o silêncio por um breve momento. Depois, se levanta, vai até uma estante e alcança um livro grosso, de capa dura e lombada decorada. Ela apoia o livro no colo e abre nas primeiras páginas, para consultar o sumário.

O livro vermelho de jung

Rebeca espera, tentando conter a ansiedade e manter a compostura ao mesmo tempo, e nitidamente não sendo capaz de fazer nenhum. “É como eu imaginava, Rebeca.” Mais uma pausa dramática. “Você quer transar com o seu pai.” O ar da sala fica azedo. “Quê?” “Sim, está escrito aqui.” A terapeuta vira o livro em sua direção. Nas páginas há uma grande tabela de correlações; em uma das células está escrito Fica acordada pra não se sentir fracassada e a célula ao lado diz Quer transar com o próprio pai.  Rebeca permanece atônita. Ela olha para o livro, depois para a terapeuta, depois para o livro de novo.

CONTROLE-SE REBECA!

“Vamos ser honestas, Rebeca; você é bem sequelada.” A terapeuta faz um gesto vago com a mão, de que disse algo óbvio. “E é importante que você entenda; ter problemas é algo completamente normal! Eu por exemplo tenho inveja do pênis da minha mãe.” Ela vira o livro em outra página da tabela e aponta para uma linha; Investe todo o seu tempo no trabalho pra não lidar com os próprios problemas, e na célula ao lado, Tem inveja do pênis da própria mãe. “Eu também não entendi muito bem, mas a psicologia é uma coisa complicada.” Rebeca concorda, agora um pouco mais calma. Ela toma um gole d’água. “É.. eu acho que sim. É difícil passar por isso por me sentir tão exposta mas… eu quero enfrentar isso!” A terapeuta sorri levemente. “Sim, sim, que bom.. vou ser sincera com você Rebeca, seu caso é beeem complicado, mesmo, mas nós vamos lidar juntas. Aceitar a própria situação é o primeiro passo para mudar.” Rebeca sorri.

o autoconhecimento muda vidas!

“Agora, nosso tempo já acabou, e minha próxima cliente já está esperando.” A terapeuta se levanta, se aproxima de Rebeca e sussurra. “Ela é uma mulher adulta que ainda não superou a fase anal da irmã mais velha” Rebeca abafa uma risada com as mãos. “Sim, completamente traumatizada.” Elas se despedem e Rebeca sai, se sentindo aliviada e confiante. Naquela noite, dormiu como nunca antes.

bons sonhos, Rebeca!

Tem muita coisa guardada que eu preciso falar.

Você acredita em segundas chances?

Com a oportunidade de voltar a escrever aqui veio a ansiedade de escrever. Veio não, voltou. A ansiedade voltou, exatamente da mesma maneira e no mesmo lugar em que estava quando eu decidi parar, há uns anos atrás; tipo quando você desliga a máquina de lavar no meio do ciclo, e quando você liga de novo ela já começa centrifugando e tremendo e saindo do lugar, por que os pés estão desalinhados.

Você acredita em lábios que dizem adeus, mas olhos que dizem até logo?

Criar é um ato perigoso. Perigoso porque quando você faz algo, e sente que aquilo foi bom, você sente felicidade, e é uma felicidade que você não sente em outro lugar, comendo uma comida boa, saindo com os amigos.. É um momento único de inspiração, emoção, fritação, bota a mão no coração.. daí você vicia e quer sentir isso de novo e de novo. E receber elogios dá um barato maior ainda. Eu definitivamente tenho um problema em receber elogios; e não é dificuldade em aceitar, é vício em receber mesmo.

Você acredita em estar na hora certa e no lugar certo?

Quem teve a ideia de voltar com o blog foi o Eduardo, mas no fundo do meu coração eu estava pedindo pro universo para que isso acontecesse. No mesmo dia em que ele veio falar comigo eu estava pensando no quanto eu sentia saudade de escrever para um blog, e que eu nunca consegui encontrar um espaço ou plataforma onde eu criasse o que eu criava aqui. Por que o que eu criava aqui era pura e completa ABOBRINHA. Temos baboseira do mais alto nível de pureza. Baboseira extra virgem. Ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue, hidrata os cabelos e a pele. Use uma colher de sopa todos os dias!

Você tem medo de recomeçar?

O verdadeiro perigo de criar começa no momento em que você não consegue atingir as expectativas. Lá está você, chapada de receber elogio, criando e se superando, se sentindo inabalável. Eis que alguma coisa planta uma minhoca na sua cabeça. Você olha pra sua obra e ela está fraca, ruim, chata, anêmica. As expectativas rosnam pra você como cachorros desconfiados; às vezes elas vêm de fora, mas muitas vezes elas vêm de nós mesmos. Você diz que “Não!” e faz cara de confiante, “Eu vou dar o meu melhor!” E aí o seu melhor fica uma bosta, e as expectativas te comem.

Você corta o fluxo de aprovação. A abstinência bate e você fica irritada, triste, paranóico. Você treme nas extremidades e sua frio. Você arranca os cabelo e grita. Você é amarrada numa camisa de força e trancada numa cela com paredes macias. É um momento sombrio na sua vida, mas o tempo passa e com força de vontade e amor próprio, você consegue sair desse poço! Aos pouco você se reabilita e volta; posta uma selfie naquela luz boa. Você vai sobreviver!

Parabéns, eu tenho tanto orgulho de você.

Você já prometeu pra si mesmo que não iria se apaixonar novamente?

É bom te ver de novo. Senti sua falta. Vem cá, vem.

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Era disso que Leonard Cohen estava falando quando compôs Hey that’s no way to say goodbye.mp3

Vou tirar o band aid bem rápido: tô largando o blog de vez.

Eu não me sinto confortável nem à vontade pra escrever aqui há um tempo (tanto que não escrevo), eu tentei me motivar de diversas maneiras e acabei criando mais pressão em cima de mim fazendo uma coisa megalomaníaca que honestamente eu não tenho nem condição de manter. Além disso muitas coisas aconteceram recentemente envolvendo o blog indiretamente e eu sinto que não sou mais bem vindo no meu próprio clubinho.

uma última stock image por todos esses anos

Eu ainda quero continuar escrevendo, mas aqui eu não vou mais, pelo menos por agora. Se vocês me virem por aí a gente se beija, se quiserem saber por onde eu ando comentem aqui, sei lá, a internet não é tão grande assim.

E quanto a você, Timing Perfeito. ME BEIJE UMA ÚLTIMA VEZ, CANALHA, ME BEIJE E ME DEIXE IR. Se realmente fomos feitos um pro outro, nossos caminhos se cruzarão novamente, então adeus, meu querido, meu amado. Adeus.