Sim

Era sexta e eu tinha acabado de chegar na casa de um amigo para uma comemoração. De comemoração não tinha nada, era tudo só uma desculpa para se juntar e jogar conversa fora. Tinha mais gente do que outras vezes. Algumas eu conhecia, outras não. Tinha um garoto que eu não conhecia e estava sentado na ponta do sofá da sala. Ele era diferente das pessoas que vejo todos os dias, falava e se movia com confiança, brincava com olhares, risos e expressões, conversava sobre assuntos que iam além do trivial. Quando percebi, meu coração estava acelerado, tinha ficado caído por ele.

Enquanto eu estava na sala, eu não conseguia parar de olhar para ele e observar como ele falava e se movia. Aquilo era incrível. As vezes eu até tentava disfarçar, mas logo meu olhar era atraído novamente. Tentei distrair conversando com outras pessoas, mas não adiantou. Decidi ir à cozinha. Lá não ia ter essa distração (tentação). Abri a geladeira, peguei uma bebida, quando virei o garoto estava entrando na cozinha. Aproveitei que já estava na frente da geladeira, “Você quer?”. “Claro”. Entreguei para ele a bebida e depois ficou um silêncio constrangedor por alguns instantes. Ele puxou assunto, ainda bem. Encostei na pia e ele se sentou na cadeira e assim continuamos conversando por um bom tempo. A conversa foi ficando cada vez mais interessante e eu cada vez mais na dele. Estávamos nos aproximando, mas eu estava receoso. Não estava afim de apenas ficar com alguém, mas ele parecia estar. Por quê de todo mundo que estava ali, ele iria se interessar por mim mim? Tinham outras pessoas mais interessantes ali, ou em outro lugar. Minha falta de confiança me fez não querer ir mais pra frente naquela conversa. Eu decidi acabar por ali enquanto estava tudo bem, senão minha ilusão só ia aumentar. “Vou pra casa, já está tarde”, eu disse. “Está cedo, fica mais.”. “Acho que não, até mais”. E fui saindo antes que ele insistisse mais.

Em casa eu não consegui dormir tão cedo. Fiquei revirando na cama pensando nele. Meus pensamentos pulavam entre ter me arrependido de ter ido pra casa e achar melhor assim pra não machucar com aquilo. Enfim eu dormi.

Acordei de manhã e tinha uma notificação no celular, “Tem algo em você que mexeu comigo. Nunca senti isso antes. Quer sair hoje?”.

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Por quê contar outras histórias?

Em dezembro do ano passado, a Netflix apresentou o trailer da série dos Cavaleiros do Zodíaco que vai ser exibida nesse ano. A personagem Shun de Andrômeda agora vai ser representada por uma mulher, se tornando Shaun de Andrômeda. Muitos se sentiram atacados por essa mudança e despejaram seus comentários no Twitter. O roteirista se pronunciou dizendo que é uma questão de representatividade e que 30 anos atrás, quando o anime foi lançado pela primeira vez, era aceitável ver um grupo só de homens juntos para salvar o mundo, só que hoje não é mais assim. Quem sempre foi representado nas histórias vai dizer que é exagero. “Estão forçando a barra”. “Apelaram!”. Mas não, definitivamente não. Temos muito mais do que só uma história para contar.

A forma de como uma história é contada traz o poder de transformar como eu me vejo e como vejo o mundo a minha volta. Através de uma história eu posso me sentir representado ou sentir empatia por outra pessoa.

Eu cresci assistindo filmes que tinham neve no inverno. Não tem nenhum problema fazerem filmes cheios de neve no inverno. O problema é quando tudo que chega pra mim são filmes que só mostram esse tipo de inverno. Por quê? Eu passo a questionar por que não neva onde eu moro. Passo a ficar chateado com esse fato e querer aquilo que eu vejo no filme. E a minha história, ou a minha cultura? Elas não existem por que não são contadas.

Quando eu vejo uma história que me representa, sinto que não estou sozinho, sinto que existo e que existe vida além daquilo que vejo todo dia. Precisamos nos ver nas histórias superando desafios, realizando feitos incríveis, com poderes incríveis, viajando, vivendo e descobrindo, ou então, sendo apenas humanos, tendo nossas realidades apresentadas, com aquilo que é trivial, rotineiro, feliz ou doloroso.

Quando o outro vê uma história que me representa, ele vê que existem outras histórias. Ele pode se colocar naquele lugar e ter uma breve noção de como eu me sinto, de como eu sou, ou como eu realmente vivo. Isso é empatia.

Jesus, Viva (2015)

Em Viva (2015), vejo na protagonista todas as dificuldades que ela também enfrenta para se entender, se aceitar, se posicionar no mundo a sua volta, e além de tudo comunicar isso para as pessoas. Quando o outro vê esse mesmo filme, ele tem a oportunidade de ver pelos olhares de Jesus, a protagonista, como é difícil passar por aquilo tudo e que ela não é pior por ser assim, é apenas outro ser-humano aprendendo a se conhecer e lidar com sua vida. Eu vejo que no fim do filme o relacionamento da protagonista e de seu pai deu certo, isso me conforta. O outro pode ver que é possível conviver e continuar amando seu filho que não é como os outros.

As histórias capturam a essência das interações sociais, a estrutura da ação humana, e por isso podem nos ensinar sobre a nossa cultura e a de outras pessoas. Elas permitem simular o mundo a nossa volta, nos ajudar a lidar com o presente, imaginar o passado e o futuro. Ativam partes do nosso cérebro envolvidas em processamento social e emocional, facilitando nosso sentimento de empatia por outros.

Viva (2015) https://www.imdb.com/title/tt4334482/

Referências

Todos os meus sonhos são feitos de pó. (Parte 1)

Tem alguma coisa acontecendo. Sei que faz pouco sentido falar essa frase sem contextualizar, por que com certeza tem alguma coisa acontecendo. Em qualquer lugar do mundo a qualquer momento têm uma infinidade de coisas acontecendo.

Um pássaro que voa, uma pessoa que tem um plano, um texto que é lido; essas coisas acontecem o tempo todo. Existem também coisas mais incomuns, selecionadas, que não acontecem com tanta frequência. Um pássaro que pousa no seu ombro, uma pessoa que ganha na loteria, um texto que não deveria ser lido por ninguém. Mas também existem aquelas coisas realmente únicas, que são maiores e mais complexas e tem braços por toda a parte.

Coisas que não acontecem como resultado de uma ação ou um agente, mas de ações e agentes múltiplos, que levam um ao outro e que se ramificam em novas ações e novos agentes, como uma rede subterrânea de raízes. Coisas que sugam e absorvem aqueles que passam muito perto.

Coisas que acontecem a passos muito muito lentos. Como um vazamento oculto que gota a gota contamina o rio. Como o surgimento de uma nova espécie, fruto de inúmeras e microscópicas mutações. Como a pressão do solo criando cristais.

Mas não é sobre as coisas que eu estou falando. É sobre o acontecer.

É sobre sentir o movimento microscópico, sobre a mutação. É sobre ouvir as placas tectônicas se arrastando, uma contra a outra. É sobre ver a cidade sendo contaminada a cada gole de água.

Tem alguma coisa acontecendo. Eu não sei o quê, mas eu sei que está.

Ontem à noite, quando eu finalmente estacionei o carro e desliguei o motor, eu ouvi uma risada. Foi curta e abafada, quase rápida demais pra ser ouvida, mas eu ouvi, por que vinha de dentro da minha cabeça. Eu ouvi por trás dos meus olhos, por trás das fibras e dos músculos. Era a uma risada orgulhosa, ou melhor, satisfeita. Como a de alguém que via tudo sair conforme o planejado. E depois, o silêncio.


Faz um tempo que eu tô me propondo a encontrar novas maneiras de escrever e contar histórias; uma maneira que mescle poesia e narrativa com as crônicas/dissertativas que eu já tenho facilidade em fazer. Esse texto é uma primeira tentativa disso. Fui inspirado pela música Silent From Above, pelo episódio Dana de Welcome to Night Vale, e pelo livro A cor que caiu do espaço, de H.P. Lovecraft.

Se você leu e quiser conversar, dar feedback ou viajar nas ideias, comenta!

Tem muita coisa guardada que eu preciso falar.

Você acredita em segundas chances?

Com a oportunidade de voltar a escrever aqui veio a ansiedade de escrever. Veio não, voltou. A ansiedade voltou, exatamente da mesma maneira e no mesmo lugar em que estava quando eu decidi parar, há uns anos atrás; tipo quando você desliga a máquina de lavar no meio do ciclo, e quando você liga de novo ela já começa centrifugando e tremendo e saindo do lugar, por que os pés estão desalinhados.

Você acredita em lábios que dizem adeus, mas olhos que dizem até logo?

Criar é um ato perigoso. Perigoso porque quando você faz algo, e sente que aquilo foi bom, você sente felicidade, e é uma felicidade que você não sente em outro lugar, comendo uma comida boa, saindo com os amigos.. É um momento único de inspiração, emoção, fritação, bota a mão no coração.. daí você vicia e quer sentir isso de novo e de novo. E receber elogios dá um barato maior ainda. Eu definitivamente tenho um problema em receber elogios; e não é dificuldade em aceitar, é vício em receber mesmo.

Você acredita em estar na hora certa e no lugar certo?

Quem teve a ideia de voltar com o blog foi o Eduardo, mas no fundo do meu coração eu estava pedindo pro universo para que isso acontecesse. No mesmo dia em que ele veio falar comigo eu estava pensando no quanto eu sentia saudade de escrever para um blog, e que eu nunca consegui encontrar um espaço ou plataforma onde eu criasse o que eu criava aqui. Por que o que eu criava aqui era pura e completa ABOBRINHA. Temos baboseira do mais alto nível de pureza. Baboseira extra virgem. Ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue, hidrata os cabelos e a pele. Use uma colher de sopa todos os dias!

Você tem medo de recomeçar?

O verdadeiro perigo de criar começa no momento em que você não consegue atingir as expectativas. Lá está você, chapada de receber elogio, criando e se superando, se sentindo inabalável. Eis que alguma coisa planta uma minhoca na sua cabeça. Você olha pra sua obra e ela está fraca, ruim, chata, anêmica. As expectativas rosnam pra você como cachorros desconfiados; às vezes elas vêm de fora, mas muitas vezes elas vêm de nós mesmos. Você diz que “Não!” e faz cara de confiante, “Eu vou dar o meu melhor!” E aí o seu melhor fica uma bosta, e as expectativas te comem.

Você corta o fluxo de aprovação. A abstinência bate e você fica irritada, triste, paranóico. Você treme nas extremidades e sua frio. Você arranca os cabelo e grita. Você é amarrada numa camisa de força e trancada numa cela com paredes macias. É um momento sombrio na sua vida, mas o tempo passa e com força de vontade e amor próprio, você consegue sair desse poço! Aos pouco você se reabilita e volta; posta uma selfie naquela luz boa. Você vai sobreviver!

Parabéns, eu tenho tanto orgulho de você.

Você já prometeu pra si mesmo que não iria se apaixonar novamente?

É bom te ver de novo. Senti sua falta. Vem cá, vem.

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O que aprendemos com a morte?

Terça-feira, eu estava sentado almoçando e meu telefone tocou. Eu sempre tive dificuldades de atender o telefone (?), mas decidi que esse ano eu enfrentaria isso. Era meu pai ligando. Atendi logo. Ele não me deu bom dia, como de costume. Eu já sabia que essa conversa seria diferente, então eu já perguntei como ele estava. “Muito mal, péssimo”. “É? O que aconteceu?”. Então ele foi me contar que um amigo dele havia acabado de falecer. Estava trabalhando, sofreu um acidente. Era um dos poucos amigos do meu pai que eu gostava. E desse eu gostava muito. A notícia bateu forte. Falei mais um pouco com meu pai detalhes e desliguei.

Eu tinha que sair logo depois do almoço. Enquanto eu dirigia eu não parava de pensar sobre tudo aquilo. Como será que ele acordou naquele dia? Como foi que ele despediu pela última vez de cada pessoa? A última vez que eu o vi foi há alguns meses. Eu não sabia que aquela seria a última vez. O que passou na cabeça dele durante aquele dia? E durante os últimos instantes?

Quando eu era pequeno ele sempre ia lá pra casa para um churrasco ou algum outro motivo que inventávamos para se reunir. Num momento ele conversava comigo sobre Iron Maiden, Black Sabbath, o que ele achava dos vocalistas do AC/DC, ou me contava a história do Led Zeppelin; daqui a pouco e saía e ia escutar moda de viola com meu pai. Ele serviu ao exército e lá ele aprendeu a ser espartano. Aprendeu que precisava saber fazer de tudo nessa vida, e que qualquer lugar poderia servir para dormir quando precisasse. Ele era uma pessoa que conseguia ver as outras pessoas.

Não quero esperar as pessoas morrerem para aproveitar o que elas são de bom e aprender com elas. Também não quero esperar ela já não poder escutar mais para eu dizer que elas são importantes, nem que não seja com palavras.

See you later, alligator.

Aquilo que resiste ao tempo e ao espaço

Um dia eu tive um sonho que eu chegava para o João e dizia que a casa dele ia ser demolida. Ele disse “pode destruir tudo, deixa só as janelas”.

Esse blog começou quando o João ia mudar para outro estado e queríamos uma forma de continuarmos nossas conversas sobre a vida, o universo, e tudo mais. Criamos uma casa para nossas conversas e pensamentos. Moramos nela um tempo, mas teve um dia que eu saí sem avisar e não voltei mais. A casa ficou fraca e o João decidiu sair também antes que tudo desmoronasse.

Depois de muito tempo, e de sentir muita saudade, criei coragem e fui atrás do João para saber como a casa estava. Na verdade era para saber como ela poderia estar. Decidimos que era hora de colocar as paredes fracas no chão, colocar as janelas que guardamos nos lugares e reconstruir a casa.

E aqui começa nossa reconstrução.

Era disso que Leonard Cohen estava falando quando compôs Hey that’s no way to say goodbye.mp3

Vou tirar o band aid bem rápido: tô largando o blog de vez.

Eu não me sinto confortável nem à vontade pra escrever aqui há um tempo (tanto que não escrevo), eu tentei me motivar de diversas maneiras e acabei criando mais pressão em cima de mim fazendo uma coisa megalomaníaca que honestamente eu não tenho nem condição de manter. Além disso muitas coisas aconteceram recentemente envolvendo o blog indiretamente e eu sinto que não sou mais bem vindo no meu próprio clubinho.

uma última stock image por todos esses anos

Eu ainda quero continuar escrevendo, mas aqui eu não vou mais, pelo menos por agora. Se vocês me virem por aí a gente se beija, se quiserem saber por onde eu ando comentem aqui, sei lá, a internet não é tão grande assim.

E quanto a você, Timing Perfeito. ME BEIJE UMA ÚLTIMA VEZ, CANALHA, ME BEIJE E ME DEIXE IR. Se realmente fomos feitos um pro outro, nossos caminhos se cruzarão novamente, então adeus, meu querido, meu amado. Adeus.

A Infiltração do Oriente e a Infiltração do Ocidente (O vazamento silencioso)

Olha gente, eu sei que não é de bom tom chegar depois de tanto tempo contando os problemas financeiros, mas acontece que minha casa tá caindo aos pedaço. Eu já disse aqui, que quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa, mas que logo eu descobriria que eu estava MUITO errado. Eu acho que eu esqueci de mencionar que o espaço físico de minha casa tem muita culpa nisso.

Convenhamos que depois de 10 temporadas de friends e 18 anos de casa dos meus pais é normal eu achar que morar sozinho seria super divertido, que eu teria vizinhos legais, que minha casa ia ser linda e decoradíssima, que meu apartamento ia ser a representação dos melhores anos da minha vida e que geladeiras teriam comida. Ninguém me disse que casas seriam tão difíceis de cuidar, nem tão caras. Eu não era burro a ponto de achar que casas seriam auto limpantes, mas eu tinha na minha cabeça que elas ficavam inteiras, pelo menos; mas em apenas dois anos morando sozinho eu passei mais tempo tendo problemas do que não tendo problemas.

Vou contar essa história em capítulos por que eu tô me sentindo meio Lars Von Trier recentemente. Tudo começou com o buraco na parede.

PORÉM DIFERENTE DE MIM LARS NÃO TINHA QUE FICAR
SE PREOCUPANDO COM BURACO NA PAREDE

Capítulo 1 – O BURACO NA PAREDE

Logo no primeiro apartamento o meu quarto tinha um buraco na parede onde costumava ficar um ar condicionado, mas aparentemente a dona não aguentaria ficar longe do seu amado ar e decidiu ARRANCAR ELE COM AS PRÓPRIAS MÃOS, e em vez de tampar o buraco com tijolos e cimento, que é o que normalmente se usa pra fazer paredes, ela me vem com uma placa de MDF e grampeia na parede; e eu não tô exagerando, por que se ela tivesse tapado o buraco com creme dental e papel machê faria mais efeito.

Um dia eu entro no meu quarto e ele está INUNDADO.


foto minha em tempo real durante a inundação

Numa dessas chuvas cotidianas eis que toda a água do mundo decidiu entrar pelo buraco, escorrer pela parede até o meu criado mudo, molhar TUDO que estava em cima dele e inundar meu chão. Eu mantive a calma nessa situação e em vez de me desesperar apenas me joguei na água para que minhas lágrimas se confundissem com a poça e virassem poesia. Depois que eu me recuperei, tirei fotos de toda essa presepada pra ~fazer valer os meus direitos de consumidor e enviei pra imobiliária com o assunto ATÉ QUANDO??

Eu imagino que eles tenham impresso as fotos e usado pra fazer aviões de papel e improvisar tererês nas tranças dos funcionários; por que eu nunca recebi uma resposta. Um ano depois eu já tinha acumulado uma coletânea de 1001 dilúvios pra sofrer antes de morrer e outra de todos os problemas do apartamento que a proprietária apenas se recusava a consertar; daí a gente ficou cansado de ser HUMILHADOS e decidiu se mudar.

Mal sabia eu a ironia do que estava por vir.

Capítulo 2 – A IRONIA DO QUE ESTAVA POR VIR

Nos mudamos. Apartamento novo, pessoas novas, vida nova, quarto novo e sem buraco na parede (eu olhei duas vezes pra ter certeza); tudo era bonito, tudo era novo, a gente aparentemente não tinha mais problemas. Um dia apareceu o vizinho de baixo na nossa porta por que o nosso banheiro estava com vazamento no piso e numa reviravolta alucionante na trama eu estava inundando a casa dos outros.


eu só queria tomar um banho em paz sem que tudo desse errado

Convenhamos que como dessa vez quem estava sofrendo eram os outros a gente se importou menos com o problema e se importou mais com a nossa vida, e quando o proprietário do nosso apartamento demorou pra vir resolver o problema a gente ficou tranquilo, por que não parecia ser tão preocupante. Até que o vizinho de baixo apareceu na porta de novo falando que POR FAVOR O BANHEIRO APODRECEU, OS FUNGOS NOS SUBJUGARAM TOMARAM NOSSA CASA, ALGUÉM PELO AMOR DE DEUS PENSE NAS CRIANÇAS.

A gente arrumou tudo logo depois mas já era tarde demais, por que eu acho que a nossa casa já tinha sido amaldiçoada e tudo começou a dar errado.

Capítulo 3 – TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO

Um dia eu coloquei a roupa pra lavar e fui cuidar de minha vida. Daí a máquina começou com um barulho estranho, mas eu ignorei, por que eu não tenho tempo pra me importar com tudo que faz barulhos estranhos na minha vida. Horas depois eu fui perceber que a roupa ja deveria estar pronta, mas a máquina ainda tava funcionando, e nem no ciclo pesado essa lavadora batia tanto minha roupa, por que ela é uma maquinazinha ordinária de ruim. Eu tentei de tudo, tirei da tomada, olhei feio, dei uns tapa, mas depois tive que admitir que a máquina tinha estragado. O conserto saria quase o preço que eu paguei na máquina, então a gente tá há um bom tempo sem máquina lavando as coisas na mão. Mas isso não é chato o suficiente e, como se não bastasse, pouco tempo depois o chuveiro estragou também.

Nada contra banho frio, inclusive sou adepto, às vezes tomo um pra me sentir meio fitness e tal, mas tinham dias em que estava frio e eu não tinha opção se não entrar no banho e chorar, ou gritar desesperado pedindo pra que Deus me levasse de uma vez.

NYMPHOMANIAC-7
queria estar morta

No momento eu estou aproveitando pra ver o lado bom das coisas, eu troquei a resistência de um chuveiro pela primeira vez (e olha que eu tenho um diploma de Técnico em Eletrônica), a gente também vai comprar uma máquina nova agora; uma que seja boa e que limpe as roupas e não deixe elas cheias de manchas e plumas diferente de -C E R T A S- máquinas horrorosas. Também aproveitei o momento pra escrever uma carta pedindo desculpa pro vizinho de baixo e dar uma benzida com arruda na casa, por que prevenção nunca é demais.

Eu sei que tudo isso é parte da vida, ajuda a formar caráter etc mas eu realmente esperava que casas fossem menos caóticas; eu pago aluguel e condomínio todo mês sabe? Eu achava que isso fosse o suficiente pra manter ela de pé.

Ironicamente ou não eu ainda amo essa casa. Ainda falta uma pintura melhor e uns móveis do pinterest pra ser linda e decoradíssima como eu imaginava mas eu vejo potencial nesse apartamento pra ser a representação dos melhores anos da minha vida. Talvez seja a emoção de ter trocado a resistência do chuveiro, ou o chumbo da água subindo pra minha cabeça, mas enfim..

Hoje eu vou mandar pro paredão o Facebook, por motivos de afinidade mesmo nada contra

Então, era mais ou menos março quando eu falei pros meus amigos que eu ia deletar o facebook por que tava puto com tudo e não aguentava mais e tava achando tudo um lixo. Daí eu ia só escrever um textinho aqui pro blog pra explicar pros meus amigos o porquê e tal e assim que tivesse isso feito eu matava o facebook de vez e acabou. Mas eu me enrolei pra começar a escrever, e nesse meio tempo eu perdi meu celular e fiquei sem forma de comunicação com o resto da vida do planeta que não fosse o facebook, daí eu não deletei. Mas como eu sou cidadão honesto da família brasileira, pago impostos etc, eu trabalhei e comprei outro celular..


quem concordas compartilhas quem discorda curtes quer me beija comenta

E agora, finalmente, eu vou deletar o facebook.

“AAAAAAAH MAS SE VOCÊ QUISESSE DELETAR JÁ TINHA DELETADO E NÃO FICAVA NESSA FRESCURA DE FICAR FAZENDO POST JÁ TINHA DELETADO???” Talvez? Mas não é bem assim, veja só. Querer QUERER mesmo eu quis uma vez ou outra. Era quando eu ficava tão puto com todas as pessoas e tanta abobrinha e tudo que falava pra mim mesmo EU VOU É DELETAR ESSA MERDA E EU NÃO QUERO NEM SABEEEER. Aí a gente brigava jogava prato um no outro, era um horror.. Mas fora os momentos de ódio, o resto do processo de decidir deletar o facebook foi uma conversa séria e calma e muito controlada sobre como a coisa já não estava funcionando mais, e se não tá funcionando mais, me desculpa meu bem, foi bom o que passamos juntos, relacionamentos são assim, vamo cada um pra sua casa, rasgar as fotos. E com o facebook foi assim, ou morria ele, ou morria eu.

E pra não gerar confusão, eu quis fazer um texto, por que assim se alguém vier me perguntar por que eu fiz isso eu vou apenas dizer LEIA MEU BLOG e vou colocar meu óculos de sol, acender um cigarro e sair.. (Depois eu vou voltar e apagar o cigarro, por que eu não fumo, e eu não vou ter outro lugar pra ir (mas eu vou ficar de óculos).)


não mirrita, infeliz

Sem mais delongas, e em triologia (como tudo que é escrito hoje em dia), a história do fim do meu relacionamento com o Facebook.

CAPÍTULO 1 – O ÓDIO

Vamos começar pelo motivo de tudo; há um tempo eu venho me irritando com o modo com que as pessoas vêm tratando nossas representações virtuais. Veja bem, o meu facebook, assim como qualquer rede social, não sou eu e não me representa por completo, ele é uma personalidade, baseado na minha pessoa e nos meus comportamentos e pensamentos, mas pensada e toooooda trabalhada pra ter a ver com as pessoas que interagem comigo nessa rede social, e com o conteúdo que é produzido lá. Em resumo, eu não escrevo documentos como eu escrevo no blog, eu não vivo em 140 caracteres do twitter e, principalmente, eu não sou meu perfil no facebook. De todas as redes sociais, o facebook é o que as pessoas mais levam a sério; se eu não curto no facebook eu não gosto, se eu curto eu amo, se eu não sou amigo da pessoa eu odeio ela, se eu compartilho alguma coisa aquela é minha opinião definitiva, e se eu não compartilho é por que eu não me importo com os animais em extinção no tibete.

A coisa piora quando as pessoas acham que o seu perfil no Facebook responde por você na vida real 100% do tempo, e começam a te cobrar por isso. A pessoa não pode ser ativista e jogar candy crush, não pode gostar de música eletrônica e fazer trilha, não pode ver aquilo, não pode ir em tal evento, seu comportamento online deve ser 100% coerente com sua vida social e profissional. De repente toda a sua atuação na vida real fica comprometida pelo que você faz online, ao ponto de empresas procurarem o perfil da pessoa no Facebook antes de contratá-la.. Tipo.. OI? De repente o seu trabalho e sua vida pessoal viraram uma coisa só, e a sua selfie virando um shot de tequila importa tanto quanto seu rendimento no trabalho. Não importa e não deveria, sua vida pessoal e suas opiniões são uma coisa a parte, e isso não determina nada da sua atuação em meio nenhum.

Chega ao ponto da pessoa te marcar e te mandar mensagem pra tratar de um assunto profissional, oficial, ou [[URGENTE]] em vez de te mandar um email ou te ligar.. e ainda fica brava por que você não viu a mensagem dela que era URGENTEEEEEEE, e eu não quero ter que lidar com isso. Eu não quero ter reuniões profissionais no Facebook, eu não quero resolver situações curriculares via DM, eu não quero tomar decisões nos comentários de uma foto, eu não quero resolver assuntos sérios em um espaço onde meu nome pode ser João Gabriel Guarani Kaiowa e minha imagem pode ser a foto um gato sorrindo tirada do google com a legenda ~Uma Ótima Segunda Feira~.

demoniodocomunismoou isso

CAPÍTULO 2 – O AMÔR

Porém também nem tudo são mágoas, e ter um perfil no Facebook já me ajudou e foi até necessário em diversos momentos. Portanto, pra fazer jus a isso, aqui vai uma lista de assuntos e momentos pra qual o Facebook tem sim sua utilidade:

  • O Facebook é ótimo pra encontrar amigos antigos que você achou que nunca mais ia ver e adicionar esse amigos (pra então bloquear eles um mês depois por que descobriu que eles são pessoas horríveis e você tá muito melhor sem eles).
  • Também é muito bom pra encontrar o perfil daquela pessoa que você tá afim & ver todas as fotos, informações, curtidas & descobrir milhares de coisas sobre a pessoa (e depois falar ao vivo com a pessoa & deixar escapar que sabe alguma coisa dela que você teoricamente não deveria saber, & ficar com cara de paisagem por que a pessoa acabou de perceber que você andou investigando a vida dela.)
  • Ingressos VIP
  • Eventos
  • PÁGINAS! Adoro páginas. As páginas são maravilhosas, são um ótimo recurso, funcionam e são uma boa maneira de te manter atualizado sobre os assuntos, sites, empresas e artistas que você mais gosta.
  • Falando nisso, o Timing Perfeito agora tem página no Facebook!
  • Sim eu sei que isso é muito irônico, mas se eu estou deletando o meu perfil eu preciso de um meio pra avisar as pessoas das postagens, né
  • Promoções que te dão uma avalanche de prêmios socorro pêssega
  • Ingressos VIP!?!?!?!?
  • É tão fácil pegar fotos com amigos e páginas e etc..
  • Passatempo
  • Quando você posta alguma coisa e ganha vários likes, daí alguém compartilha a mesma coisa e ganha metade dos seus likes.
  • INGRESSOS VIPEEEEEEEEE

Tudo isso me manteve fiel ao facebook por um bom tempo, e nessas intermitências de deleto/não deleto, esses foram os motivos que me fizeram QUASE não deletar minha conta, afinal de contas INGRESSOS VIP CARA!!!! Esses motivos eram bons o suficiente pra me fazer esquecer que eu odiava o Facebook, mas eis que alguma tragédia acontecia, e eu me lembrava de todos os problemas causados pelo facebook, inclusive pelos ingressos VIP. De repente eu me vi sem saber o que fazer; foi quando eu percebi que era hora de colocar na balança.

 entendeu? por que o gato é gordíssimo colocar na balança: como eu vejo como minha familia vê como lurdes doceira vê como realmente és

CAPÍTULO 3 – LÁGRIMAS E CHUVA

Daí a balança disse: “TÁ MAGRO DEMAIS VAI MALHAR DELETA O FACEBOOK A PRESSÃO TÁ HORROROSA”

Não, agora sério: por mais que o Facebook seja útil e interessante, eu percebi que eu estava aos poucos abandonando tudo que tornava ele útil, pra poder fugir das coisas que eu mais odiava. Eu já não ficava mais online no chat há muito tempo, que era pra não virem falar comigo de assuntos sérios, eu tava parando de seguir pessoas e só curtia páginas que fossem extremamente relevantes. Eu tirei todo mínimo de informação pessoal que eu consegui do meu perfil, deletei praticamente todas as minhas fotos e me desmarquei da maioria.

O pior de tudo foi perceber que mesmo assim eu ainda perdia um bom tempo fazendo nada lá! Eu não tinha jogos, e não ficava fazendo nada de importante, eu só abria e ficava rodando na timeline, balançando a cabeça e rindo naquele estilo risada de internet em que você não emite gargalhadas, você só solta ar do nariz e sorri de canto de boca. E eu ainda perco tempo precioso fazendo isso, e é muito tempo! Pô, pra escrever esse post eu demorei duas semanas, e com certeza muitas dessas horas foram perdidas no Facebook vendo as mesmas imagens 70 vezes. Lógico, eu ainda pretendo usar o facebook, com a página do blog agora, no futuro talvez uma página profisisonal (se é que ainda vai existir quando eu me formar RISOS?), mas perfil pessoal não vai rolar. Eu não consigo parar de sentir que eu poderia estar aproveitando melhor esse tempo, que eu poderia estar escrevendo, que eu poderia estar explorando novos hobbies, tricotando, jogando futebol.. sei lá, tem tanta coisa nessa vida.

A gente tem que saber o momento de cortar as ligações, pra não acabar mal um com o outro, sem vontade, sem respeito. E não é disso que se trata a vida? De encontros e desencontros? Fins e recomeços? Não é fácil saber exatamente quando é o momento certo. Saber assumir esse fim também não é. Mas temos que fazer do fim uma lição, do limão uma limonada, por que às vezes o azedo da vida é necessário. E como eu disse antes, ou iria ele, ou iria eu. E hoje quem vai é você, Facebook.

Vem pra cá, Facebook!

bonita a comoção agora SAIAM DA MINHA CASA