A amizade moderna é constituída por duas pessoas que ficam encorajando uma a outra a fazer terapia.

Bom dia seus freudianos! Hoje eu quero falar sobre terapia. Mas de novo? Sim. Mas o último post já não foi sobre terapia? Sim. Você é obcecado por terapia por acaso? SIM! Completamente! Eu acho tudo, acho incrível, recomendo pra todo mundo. Atualmente eu faço uma vez a cada duas semanas mas se eu pudesse faria com mais frequência; tipo três vezes por semana, TIPO TRÊS HORAS POR SESSÃO.

cuidado com a bicha doida

Talvez eu tenha um vício. Talvez eu precise de ajuda. TALVEZ…. eu deva levar meu vício em terapia pra terapia. É isso que eu vou fazer. Vou sentar na cadeira, bem sério e dizer “Tânia,” olhando nos olhos dela, “acho que você é um relacionamento tóxico para mim.” Daí eu chamo ela de codependente e mando ela ir procurar ajuda.

Tá, eu exagero, mas uma coisa é verdade; só não faço toda semana por não querer gastar o dinheiro. E é por isso que eu não entendo sessões de terapia de meia hora. Em meia hora eu nem me achei no sofá. Também não entendo a instrutora da academia que eu frequento me dizendo que fez um mês de terapia quando tava se sentindo mal. MANA, UM MÊS? Se eu tivesse feito um mês de terapia quando eu tava mal eu acho que teria saído pior do que eu entrei! Em um mês eu mal tirei aquela primeira camada podre de pensamentos ruins que tava por cima; e só pra descobrir que tava mais podre ainda por baixo!

cuidado com a bicha satânica

Não entendo, mas se funciona pra você, se joga mana! No fim das contas eu sei que cada processo é um processo e cada pessoa é uma pessoa, e que o bom mesmo da vida é descobrir o seu caminho. Às vezes o que funciona pra mim não funcione pros outros. Chocante, eu sei, especialmente por que eu sempre tô certo em tudo; mas a vida tem essa mania de não concordar comigo em absolutamente tudo que eu acredito e penso; e a mim só cabe aceitar. E essa é a coisa que o acompanhamento psicológico mais me ajuda a fazer; primeiro olhar para aquilo que estou pensando e sentindo e depois aceitar as coisas como são.

A terapia te ajuda a parar de se enrolar nos fios soltos da vida e te convida a parar, pegar um único fio, e ir desenrolando ele. Aonde será que esse fio vai dar?
Fazer isso traz uma sensação incrível de leveza e prazer que é tipo um orgasmo simultâneo de todos os seus chakras. Raiva, tristeza, alegria, surpresa, desejo, nojo, resistência, nobreza, ego. Tudo isso vem junto no pacote de ser humano, e com uma frequência absurda a gente se esquece disso.

É fácil falar sobre aceitação, amor próprio, desapego, auto-conhecimento e como todas essas coisas nos fazem bem, mas falar sobre isso tudo é discutir conceitos; por que a ideia de plenitude não tem nada a ver com a experiência de plenitude. Não é sobre abrir os braços na frente do sol e sorrir e anunciar gratidão e fazer aquela pose de yoga que as perna fica pra cima. É sobre ir dormir CHEIO DE PROBLEMA, mas achar até gostoso por que no fim das contas… é tão bom ser humano!

Até a próxima amigos. Tenham um bom fim de semana e, VÃO SE TRATAR!


O título desse post veio desse tweet.

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Dia de terapia

Então, como estás?

“Essa semana foi impossível, já faz uns quatro dias que eu fico acordada até não aguentar mais e só vou deitar quando eu tô caindo de sono. Se eu tento dormir antes eu não consigo e fico rolando na cama e minha cabeça não me deixa em paz! Pelo menos acordada eu faço alguma coisa e não me sinto tão inútil. Mas o dia seguinte é pior ainda, porque eu não consigo ficar de pé de cansaço e me sinto uma fracassada, que não consegue nem dormir na hora certa.” Rebeca para de falar, mas morde os lábios como quem tem mais a dizer, e olha para a terapeuta com desconforto.

Terapeuta julgando Rebeca

A terapeuta respira fundo e mantém o silêncio por um breve momento. Depois, se levanta, vai até uma estante e alcança um livro grosso, de capa dura e lombada decorada. Ela apoia o livro no colo e abre nas primeiras páginas, para consultar o sumário.

O livro vermelho de jung

Rebeca espera, tentando conter a ansiedade e manter a compostura ao mesmo tempo, e nitidamente não sendo capaz de fazer nenhum. “É como eu imaginava, Rebeca.” Mais uma pausa dramática. “Você quer transar com o seu pai.” O ar da sala fica azedo. “Quê?” “Sim, está escrito aqui.” A terapeuta vira o livro em sua direção. Nas páginas há uma grande tabela de correlações; em uma das células está escrito Fica acordada pra não se sentir fracassada e a célula ao lado diz Quer transar com o próprio pai.  Rebeca permanece atônita. Ela olha para o livro, depois para a terapeuta, depois para o livro de novo.

CONTROLE-SE REBECA!

“Vamos ser honestas, Rebeca; você é bem sequelada.” A terapeuta faz um gesto vago com a mão, de que disse algo óbvio. “E é importante que você entenda; ter problemas é algo completamente normal! Eu por exemplo tenho inveja do pênis da minha mãe.” Ela vira o livro em outra página da tabela e aponta para uma linha; Investe todo o seu tempo no trabalho pra não lidar com os próprios problemas, e na célula ao lado, Tem inveja do pênis da própria mãe. “Eu também não entendi muito bem, mas a psicologia é uma coisa complicada.” Rebeca concorda, agora um pouco mais calma. Ela toma um gole d’água. “É.. eu acho que sim. É difícil passar por isso por me sentir tão exposta mas… eu quero enfrentar isso!” A terapeuta sorri levemente. “Sim, sim, que bom.. vou ser sincera com você Rebeca, seu caso é beeem complicado, mesmo, mas nós vamos lidar juntas. Aceitar a própria situação é o primeiro passo para mudar.” Rebeca sorri.

o autoconhecimento muda vidas!

“Agora, nosso tempo já acabou, e minha próxima cliente já está esperando.” A terapeuta se levanta, se aproxima de Rebeca e sussurra. “Ela é uma mulher adulta que ainda não superou a fase anal da irmã mais velha” Rebeca abafa uma risada com as mãos. “Sim, completamente traumatizada.” Elas se despedem e Rebeca sai, se sentindo aliviada e confiante. Naquela noite, dormiu como nunca antes.

bons sonhos, Rebeca!

Sim

Era sexta e eu tinha acabado de chegar na casa de um amigo para uma comemoração. De comemoração não tinha nada, era tudo só uma desculpa para se juntar e jogar conversa fora. Tinha mais gente do que outras vezes. Algumas eu conhecia, outras não. Tinha um garoto que eu não conhecia e estava sentado na ponta do sofá da sala. Ele era diferente das pessoas que vejo todos os dias, falava e se movia com confiança, brincava com olhares, risos e expressões, conversava sobre assuntos que iam além do trivial. Quando percebi, meu coração estava acelerado, tinha ficado caído por ele.

Enquanto eu estava na sala, eu não conseguia parar de olhar para ele e observar como ele falava e se movia. Aquilo era incrível. As vezes eu até tentava disfarçar, mas logo meu olhar era atraído novamente. Tentei distrair conversando com outras pessoas, mas não adiantou. Decidi ir à cozinha. Lá não ia ter essa distração (tentação). Abri a geladeira, peguei uma bebida, quando virei o garoto estava entrando na cozinha. Aproveitei que já estava na frente da geladeira, “Você quer?”. “Claro”. Entreguei para ele a bebida e depois ficou um silêncio constrangedor por alguns instantes. Ele puxou assunto, ainda bem. Encostei na pia e ele se sentou na cadeira e assim continuamos conversando por um bom tempo. A conversa foi ficando cada vez mais interessante e eu cada vez mais na dele. Estávamos nos aproximando, mas eu estava receoso. Não estava afim de apenas ficar com alguém, mas ele parecia estar. Por quê de todo mundo que estava ali, ele iria se interessar por mim mim? Tinham outras pessoas mais interessantes ali, ou em outro lugar. Minha falta de confiança me fez não querer ir mais pra frente naquela conversa. Eu decidi acabar por ali enquanto estava tudo bem, senão minha ilusão só ia aumentar. “Vou pra casa, já está tarde”, eu disse. “Está cedo, fica mais.”. “Acho que não, até mais”. E fui saindo antes que ele insistisse mais.

Em casa eu não consegui dormir tão cedo. Fiquei revirando na cama pensando nele. Meus pensamentos pulavam entre ter me arrependido de ter ido pra casa e achar melhor assim pra não machucar com aquilo. Enfim eu dormi.

Acordei de manhã e tinha uma notificação no celular, “Tem algo em você que mexeu comigo. Nunca senti isso antes. Quer sair hoje?”.

Por quê contar outras histórias?

Em dezembro do ano passado, a Netflix apresentou o trailer da série dos Cavaleiros do Zodíaco que vai ser exibida nesse ano. A personagem Shun de Andrômeda agora vai ser representada por uma mulher, se tornando Shaun de Andrômeda. Muitos se sentiram atacados por essa mudança e despejaram seus comentários no Twitter. O roteirista se pronunciou dizendo que é uma questão de representatividade e que 30 anos atrás, quando o anime foi lançado pela primeira vez, era aceitável ver um grupo só de homens juntos para salvar o mundo, só que hoje não é mais assim. Quem sempre foi representado nas histórias vai dizer que é exagero. “Estão forçando a barra”. “Apelaram!”. Mas não, definitivamente não. Temos muito mais do que só uma história para contar.

A forma de como uma história é contada traz o poder de transformar como eu me vejo e como vejo o mundo a minha volta. Através de uma história eu posso me sentir representado ou sentir empatia por outra pessoa.

Eu cresci assistindo filmes que tinham neve no inverno. Não tem nenhum problema fazerem filmes cheios de neve no inverno. O problema é quando tudo que chega pra mim são filmes que só mostram esse tipo de inverno. Por quê? Eu passo a questionar por que não neva onde eu moro. Passo a ficar chateado com esse fato e querer aquilo que eu vejo no filme. E a minha história, ou a minha cultura? Elas não existem por que não são contadas.

Quando eu vejo uma história que me representa, sinto que não estou sozinho, sinto que existo e que existe vida além daquilo que vejo todo dia. Precisamos nos ver nas histórias superando desafios, realizando feitos incríveis, com poderes incríveis, viajando, vivendo e descobrindo, ou então, sendo apenas humanos, tendo nossas realidades apresentadas, com aquilo que é trivial, rotineiro, feliz ou doloroso.

Quando o outro vê uma história que me representa, ele vê que existem outras histórias. Ele pode se colocar naquele lugar e ter uma breve noção de como eu me sinto, de como eu sou, ou como eu realmente vivo. Isso é empatia.

Jesus, Viva (2015)

Em Viva (2015), vejo na protagonista todas as dificuldades que ela também enfrenta para se entender, se aceitar, se posicionar no mundo a sua volta, e além de tudo comunicar isso para as pessoas. Quando o outro vê esse mesmo filme, ele tem a oportunidade de ver pelos olhares de Jesus, a protagonista, como é difícil passar por aquilo tudo e que ela não é pior por ser assim, é apenas outro ser-humano aprendendo a se conhecer e lidar com sua vida. Eu vejo que no fim do filme o relacionamento da protagonista e de seu pai deu certo, isso me conforta. O outro pode ver que é possível conviver e continuar amando seu filho que não é como os outros.

As histórias capturam a essência das interações sociais, a estrutura da ação humana, e por isso podem nos ensinar sobre a nossa cultura e a de outras pessoas. Elas permitem simular o mundo a nossa volta, nos ajudar a lidar com o presente, imaginar o passado e o futuro. Ativam partes do nosso cérebro envolvidas em processamento social e emocional, facilitando nosso sentimento de empatia por outros.

Viva (2015) https://www.imdb.com/title/tt4334482/

Referências

Todos os meus sonhos são feitos de pó. (Parte 1)

Tem alguma coisa acontecendo. Sei que faz pouco sentido falar essa frase sem contextualizar, por que com certeza tem alguma coisa acontecendo. Em qualquer lugar do mundo a qualquer momento têm uma infinidade de coisas acontecendo.

Um pássaro que voa, uma pessoa que tem um plano, um texto que é lido; essas coisas acontecem o tempo todo. Existem também coisas mais incomuns, selecionadas, que não acontecem com tanta frequência. Um pássaro que pousa no seu ombro, uma pessoa que ganha na loteria, um texto que não deveria ser lido por ninguém. Mas também existem aquelas coisas realmente únicas, que são maiores e mais complexas e tem braços por toda a parte.

Coisas que não acontecem como resultado de uma ação ou um agente, mas de ações e agentes múltiplos, que levam um ao outro e que se ramificam em novas ações e novos agentes, como uma rede subterrânea de raízes. Coisas que sugam e absorvem aqueles que passam muito perto.

Coisas que acontecem a passos muito muito lentos. Como um vazamento oculto que gota a gota contamina o rio. Como o surgimento de uma nova espécie, fruto de inúmeras e microscópicas mutações. Como a pressão do solo criando cristais.

Mas não é sobre as coisas que eu estou falando. É sobre o acontecer.

É sobre sentir o movimento microscópico, sobre a mutação. É sobre ouvir as placas tectônicas se arrastando, uma contra a outra. É sobre ver a cidade sendo contaminada a cada gole de água.

Tem alguma coisa acontecendo. Eu não sei o quê, mas eu sei que está.

Ontem à noite, quando eu finalmente estacionei o carro e desliguei o motor, eu ouvi uma risada. Foi curta e abafada, quase rápida demais pra ser ouvida, mas eu ouvi, por que vinha de dentro da minha cabeça. Eu ouvi por trás dos meus olhos, por trás das fibras e dos músculos. Era a uma risada orgulhosa, ou melhor, satisfeita. Como a de alguém que via tudo sair conforme o planejado. E depois, o silêncio.


Faz um tempo que eu tô me propondo a encontrar novas maneiras de escrever e contar histórias; uma maneira que mescle poesia e narrativa com as crônicas/dissertativas que eu já tenho facilidade em fazer. Esse texto é uma primeira tentativa disso. Fui inspirado pela música Silent From Above, pelo episódio Dana de Welcome to Night Vale, e pelo livro A cor que caiu do espaço, de H.P. Lovecraft.

Se você leu e quiser conversar, dar feedback ou viajar nas ideias, comenta!

Tem muita coisa guardada que eu preciso falar.

Você acredita em segundas chances?

Com a oportunidade de voltar a escrever aqui veio a ansiedade de escrever. Veio não, voltou. A ansiedade voltou, exatamente da mesma maneira e no mesmo lugar em que estava quando eu decidi parar, há uns anos atrás; tipo quando você desliga a máquina de lavar no meio do ciclo, e quando você liga de novo ela já começa centrifugando e tremendo e saindo do lugar, por que os pés estão desalinhados.

Você acredita em lábios que dizem adeus, mas olhos que dizem até logo?

Criar é um ato perigoso. Perigoso porque quando você faz algo, e sente que aquilo foi bom, você sente felicidade, e é uma felicidade que você não sente em outro lugar, comendo uma comida boa, saindo com os amigos.. É um momento único de inspiração, emoção, fritação, bota a mão no coração.. daí você vicia e quer sentir isso de novo e de novo. E receber elogios dá um barato maior ainda. Eu definitivamente tenho um problema em receber elogios; e não é dificuldade em aceitar, é vício em receber mesmo.

Você acredita em estar na hora certa e no lugar certo?

Quem teve a ideia de voltar com o blog foi o Eduardo, mas no fundo do meu coração eu estava pedindo pro universo para que isso acontecesse. No mesmo dia em que ele veio falar comigo eu estava pensando no quanto eu sentia saudade de escrever para um blog, e que eu nunca consegui encontrar um espaço ou plataforma onde eu criasse o que eu criava aqui. Por que o que eu criava aqui era pura e completa ABOBRINHA. Temos baboseira do mais alto nível de pureza. Baboseira extra virgem. Ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue, hidrata os cabelos e a pele. Use uma colher de sopa todos os dias!

Você tem medo de recomeçar?

O verdadeiro perigo de criar começa no momento em que você não consegue atingir as expectativas. Lá está você, chapada de receber elogio, criando e se superando, se sentindo inabalável. Eis que alguma coisa planta uma minhoca na sua cabeça. Você olha pra sua obra e ela está fraca, ruim, chata, anêmica. As expectativas rosnam pra você como cachorros desconfiados; às vezes elas vêm de fora, mas muitas vezes elas vêm de nós mesmos. Você diz que “Não!” e faz cara de confiante, “Eu vou dar o meu melhor!” E aí o seu melhor fica uma bosta, e as expectativas te comem.

Você corta o fluxo de aprovação. A abstinência bate e você fica irritada, triste, paranóico. Você treme nas extremidades e sua frio. Você arranca os cabelo e grita. Você é amarrada numa camisa de força e trancada numa cela com paredes macias. É um momento sombrio na sua vida, mas o tempo passa e com força de vontade e amor próprio, você consegue sair desse poço! Aos pouco você se reabilita e volta; posta uma selfie naquela luz boa. Você vai sobreviver!

Parabéns, eu tenho tanto orgulho de você.

Você já prometeu pra si mesmo que não iria se apaixonar novamente?

É bom te ver de novo. Senti sua falta. Vem cá, vem.

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O que aprendemos com a morte?

Terça-feira, eu estava sentado almoçando e meu telefone tocou. Eu sempre tive dificuldades de atender o telefone (?), mas decidi que esse ano eu enfrentaria isso. Era meu pai ligando. Atendi logo. Ele não me deu bom dia, como de costume. Eu já sabia que essa conversa seria diferente, então eu já perguntei como ele estava. “Muito mal, péssimo”. “É? O que aconteceu?”. Então ele foi me contar que um amigo dele havia acabado de falecer. Estava trabalhando, sofreu um acidente. Era um dos poucos amigos do meu pai que eu gostava. E desse eu gostava muito. A notícia bateu forte. Falei mais um pouco com meu pai detalhes e desliguei.

Eu tinha que sair logo depois do almoço. Enquanto eu dirigia eu não parava de pensar sobre tudo aquilo. Como será que ele acordou naquele dia? Como foi que ele despediu pela última vez de cada pessoa? A última vez que eu o vi foi há alguns meses. Eu não sabia que aquela seria a última vez. O que passou na cabeça dele durante aquele dia? E durante os últimos instantes?

Quando eu era pequeno ele sempre ia lá pra casa para um churrasco ou algum outro motivo que inventávamos para se reunir. Num momento ele conversava comigo sobre Iron Maiden, Black Sabbath, o que ele achava dos vocalistas do AC/DC, ou me contava a história do Led Zeppelin; daqui a pouco e saía e ia escutar moda de viola com meu pai. Ele serviu ao exército e lá ele aprendeu a ser espartano. Aprendeu que precisava saber fazer de tudo nessa vida, e que qualquer lugar poderia servir para dormir quando precisasse. Ele era uma pessoa que conseguia ver as outras pessoas.

Não quero esperar as pessoas morrerem para aproveitar o que elas são de bom e aprender com elas. Também não quero esperar ela já não poder escutar mais para eu dizer que elas são importantes, nem que não seja com palavras.

See you later, alligator.

Aquilo que resiste ao tempo e ao espaço

Um dia eu tive um sonho que eu chegava para o João e dizia que a casa dele ia ser demolida. Ele disse “pode destruir tudo, deixa só as janelas”.

Esse blog começou quando o João ia mudar para outro estado e queríamos uma forma de continuarmos nossas conversas sobre a vida, o universo, e tudo mais. Criamos uma casa para nossas conversas e pensamentos. Moramos nela um tempo, mas teve um dia que eu saí sem avisar e não voltei mais. A casa ficou fraca e o João decidiu sair também antes que tudo desmoronasse.

Depois de muito tempo, e de sentir muita saudade, criei coragem e fui atrás do João para saber como a casa estava. Na verdade era para saber como ela poderia estar. Decidimos que era hora de colocar as paredes fracas no chão, colocar as janelas que guardamos nos lugares e reconstruir a casa.

E aqui começa nossa reconstrução.

Era disso que Leonard Cohen estava falando quando compôs Hey that’s no way to say goodbye.mp3

Vou tirar o band aid bem rápido: tô largando o blog de vez.

Eu não me sinto confortável nem à vontade pra escrever aqui há um tempo (tanto que não escrevo), eu tentei me motivar de diversas maneiras e acabei criando mais pressão em cima de mim fazendo uma coisa megalomaníaca que honestamente eu não tenho nem condição de manter. Além disso muitas coisas aconteceram recentemente envolvendo o blog indiretamente e eu sinto que não sou mais bem vindo no meu próprio clubinho.

uma última stock image por todos esses anos

Eu ainda quero continuar escrevendo, mas aqui eu não vou mais, pelo menos por agora. Se vocês me virem por aí a gente se beija, se quiserem saber por onde eu ando comentem aqui, sei lá, a internet não é tão grande assim.

E quanto a você, Timing Perfeito. ME BEIJE UMA ÚLTIMA VEZ, CANALHA, ME BEIJE E ME DEIXE IR. Se realmente fomos feitos um pro outro, nossos caminhos se cruzarão novamente, então adeus, meu querido, meu amado. Adeus.